Estratégia de prevenção da toxicodependência nas escolas tem revelado eficácia
O secretário de estado da Educação, Valter Lemos, afirmou hoje que a estratégia de prevenção da toxicodependência nas escolas tem revelado eficácia, pelo que não se justificam medidas especiais. Valter Lemos, que hoje visitou o Colégio Rainha Santa em Coimbra, escusou-se assim a comentar declarações do presidente do Instituto da Droga e da Toxicodependência (IDT), João Goulão, ao Correio de Manhã, em que este admite a utilidade de realização de testes de despistagem do consumo de drogas na população escolar.
"Se o projecto for enquadrado num programa específico discutido na comunidade educativa e também pelos estudantes, e se for assumido no sentido de possibilitar ajuda aos consumidores, não descartaria essa hipótese", afirmou João Goulão.
Segundo Valter Lemos, os próprios dados do IDT apontam para uma redução do consumo de droga pelos alunos das escolas básicas e secundárias no período compreendido entre 2003 e 2006. "As medidas em curso estão a funcionar. São medidas fundamentais, educativas e pedagógicas", declarou, defendendo a sua continuidade.
A retenção e desistência de alunos do Ensino Básico e Secundário custa mais de dois milhões de euros por dia aos portugueses.
O Ministério da Educação (ME) não tem estimativas do custo financeiro que representa ‘chumbar’ os alunos, mas, cruzando os dados da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) e do Gabinete de Estatística do ME, chega-se a um total de 743 milhões de euros anuais. Isto porque, segundo o relatório ‘Education at a Glance 2007’, da OCDE, cada aluno do Ensino Não Superior custa, em Portugal, cinco mil euros ao ano. Segundo o ME, em 2006/2007 estavam matriculados no ensino público 1 168 307 alunos: 950 473 no Básico e 217 834 no Secundário.
A taxa de retenção/desistência no Básico foi de dez por cento (95 047 casos), enquanto no Secundário foi de 24,6 por cento (53 587 alunos). Feitas as contas, os 148 634 estudantes do 2.º ao 12.º anos que ficaram retidos ou abandonaram a escola custaram mais de 743 milhões de euros aos bolsos dos portugueses, sem quaisquer resultados.