Bandeiras eleitorais, a suspensão da avaliação e o fim da divisão da carreira serão agora prioridade na AR
Agora em maioria no Parlamento, os partidos da oposição ao Governo PS parecem empenhados em garantir que nada falha no momento de cumprirem as promessas feitas aos professores em campanha eleitoral. O PCP e o BE já deram o exemplo, ao avançarem com iniciativas parlamentares em que focam apenas e só os dois únicos pontos consensuais: a suspensão do modelo de avaliação do desempenho dos professores e o fim da divisão da carreira entre titulares e não titulares. A definição de um novo modelo e de novas regras fica para depois.
No ano passado, todos os partidos que hoje continuam na oposição apresentaram propostas de suspensão do modelo de avaliação instituído pelo Governo de José Sócrates. E, apesar de então serem minoria, estiveram a um passo de consegui-la, quando o projecto do CDS obteve votos a favor dos outros partidos e algumas abstenções do PS e só foi chumbado devido a ausências de deputados do PSD.
Os actuais Estatuto da Carreira Docente e modelo de avaliação só se manterão no próximo ano lectivo se o PS renovar a maioria absoluta - é essa a convicção dos professores face às promessas eleitorais da actual Oposição.
A maioria das escolas do país começa hoje o ano escolar (as escolas, recorde-se, podem fazê-lo até amanhã). Desta vez, a expectativa dos docentes em torno do início de ano lectivo coincide com a "esperança" de que o novo ciclo trará inevitáveis mudanças decorrentes dos resultados nas eleições legislativas de dia 27. Os dirigentes sindicais ou de movimentos estão convictos da mudança dos dois diplomas que de forma mais polémica marcaram a legislatura. A revisão do Estatuto da Carreira Docente (ECD), nomeadamente da divisão da carreira, ou do modelo de avaliação constam de todos os programas dos actuais partidos da Oposição. E os docentes, garantem, vão cobrar o cumprimento dessas promessas. Ou voltam às ruas.
Além da revisão dos diplomas mais contestados e que motivaram as manifestações e greves com adesões históricas, os docentes apontam desde já urgência na mexida de outras matérias pelo próximo Executivo: concursos de professores, Educação Especial, gestão escolar e revisão curricular estão no topo da lista.