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Violência nas escolas

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158375 Mensagens em 13075 Tópicos- por 41407 Membros - Membro Mais Recente: Li_zA

Setembro 08, 2010, 12:34:20
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Autor Tópico: Violência nas escolas  (Lida 47238 vezes)
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Endurecer a luta, correr com a ministra!

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« Responder #255 em: Março 06, 2010, 10:26:32 »



Março 6, 2010
Um Bullying Diário Que Atrai Poucas Atenções
Posted by Paulo Guinote under Bullying
[44] Comments


Porque não se presta tanto a aproveitamentos populistas e demagógicos. Porque pode parecer paradoxal, mas não é.

Aquele que se passa, em mais situações do que parece, dentro de uma sala de aula quando uma turma, ou parte importante dela, decide boicotar de forma deliberada o trabalho de um(a) docente. E isso se prolonga aos longo das aulas, das semanas, dos meses. Por vezes transbordando para os corredores, quando o(a) docente em causa vai a passar e surgem aquelas bocas que nunca ninguém sabe de onde surgem, sendo quase sempre infrutífero tentar determinar quem foi, porque em fuga, em negação ou em graças à protecção de um sistema que, por regra, culpabiliza o(a) professor(a) por qualquer tipo de ocorrência.

Quando se constatam os elevados índices de recurso a acompanhamento psicológico e psiquiátrico de muitos profissionais ligados à Educação seria interessante procurarem-se as causas e não querer apagar que o bullying - na modalidade de assédio psicológico ou mesmo pura e simples brutalidade verbal – é algo que não se limita a violência física inter-pares.
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« Responder #255 em: Março 06, 2010, 10:26:32 »

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« Responder #256 em: Março 06, 2010, 10:46:00 »



Cortar o mal pela raiz



In JN, 06/03/2010


Começo por lamentar a morte (tudo aponta para suicídio) de uma criança no exacto momento do ciclo vital em que o normativo seria a pujança púbere, as ilusões de imortalidade e uma ilimitada vontade de viver, assim como respeito profundamente a imensidão de dor e de desmoronamento interior do sentido da vida que a perda do Leandro representará para a sua família.

É necessário que ocorra uma intrusão tão insuportavelmente violenta e ameaçadora na vida de uma criança, ainda por cima tolerada por uma indiferença social que vem inactivando os dispositivos mínimos de alerta e de sensibilidade, para que a mesma desista de viver aos 12 anos de idade.

Por estes dias, na imprensa e na blogosfera, estamos a assistir ao reacendimento de mais um fogo de palha – desta vez relativo ao bullying, que vai consumir atitudes e discursos bem-intencionados, comoções genuínas, flamejares de indignação, sacudidelas de responsabilidades, libelos acusatórios e soluções paliativas, até que o desassossego e a preocupação se extingam novamente, deixando quase intocadas, quer práticas e enquadramentos institucionais, quer, naturalmente, as disruptividades sociais, institucionais, familiares e relacionais que suportam o fenómeno.

Multiplicar-se-ão os inquéritos, os relatórios, as propostas legislativas, as análises, as lamentações e as indignações respeitáveis e pungidas, mas tudo continuará, sensivelmente, na mesma.

A mudança que permita travar a violência física e psicológica (humilhações e provocações continuadas) em contexto escolar e para-escolar exige uma alteração radical nas políticas educativas, na matriz da organização pedagógica e na gestão e funcionamento concretos da escola pública.

Porque, no quadro do actual paradigma da escola pública, que tanto mimetiza como retroalimenta as dinâmicas interpessoais da sociedade, sem as corrigir, não há qualquer possibilidade de atenuar ou controlar os padrões de conduta agressiva e persecutória, tão dramaticamente corrosivos do equilíbrio psicossocial dos mais indefesos e fragilizados.

A escola pública, concebida como uma espécie de armazém indiscriminado (que alguns equivocamente apelidam de inclusiva, porque finge que os alunos são todos iguais do ponto de vista motivacional, psicossocial, intelectual e comportamental, embora com essa postura acabe a cavar e a atestar múltiplas formas de exclusão – sobretudo daqueles mais desfavorecidos), tem enveredado por procedimentos e por práticas de infantilização dos jovens (“coisas de miúdos”), de excessiva tolerância e permissividade face aos comportamentos desviantes, mas também de um negligenciar, quer da responsabilização de todos, quer da definição de regras claras de conduta e da vigilância sobre o cumprimento das mesmas.

Também a progressiva erosão da exigência e da disciplina, requeridas nos contextos escolares, contribuiu para que se perdessem regras e referenciais de conduta estruturantes nas relações aluno – professor e aluno – aluno.

De uma forma geral, os alunos ou deambulam entregues a si próprios dentro e fora dos recintos escolares ou, então, estão confinados a actividades e a espaços impositivos, mas muito pouco ou nada envolventes e significativos. Perdeu-se a ocupação organizada dos jovens em actividades colectivas de natureza desportiva, cultural, recreativa e de lazer, dinamizadas por profissionais especializados (que agora até existem no país e com formação superior – a maioria dos quais no desemprego).

Por seu lado, os professores viram a sua dignidade e respeitabilidade atacadas pela tutela (cuja postura ainda sobrevive na forma sobranceira e arrogante como Albino Almeida – o fiel do armazém, exclui os professores do papel fundamental na resolução da violência escolar e se propõe introduzir na escola a alienígena, e já de si ineficiente, máquina judicial), ao mesmo tempo que iam sendo transformados em animadores sociais, guardadores de crianças/jovens, pais/mães pretensamente substitutos - mas não reconhecidos, tudo isto fragilizando a autoridade e a consistência da sua intervenção junto dos alunos.

Por fim, é inegável a existência, nas escolas, de uma pressão para facilitar, fingir, desresponsabilizar ou, então, complexificar/burocratizar, porque há estatísticas a propagandear e, mais recentemente, porque a docência e a avaliação do desempenho devem ser bem sucedidas, escorreitas e imaculadas de problemas.
Numa escola pública que estimula os professores a competirem em vez de cooperarem e que os ocupa inutilmente a cuidarem da sua própria avaliação e da avaliação dos colegas, dificilmente haverá a motivação e a disponibilidade para fazerem um acompanhamento mais exigente, atento e individualizado dos alunos.

Evidentemente que se poderá sempre alegar que muitos alunos transportam para a escola estilos de actuação violenta e que não manifestam qualquer valorização da escola e das aprendizagens aí propiciadas.

Todavia, a escola tem o dever de contrariar estas tendências, mesmo que pareça óbvio que a escola pública actual não dispõe da filosofia educativa, dos recursos, das práticas e dos dispositivos legislativos, organizacionais e pedagógicos suficientes para actuar eficazmente nestas situações.

Como tal, torna-se imprescindível cortar o mal pela raiz, o que apenas será possível no quadro de uma ruptura com o actual paradigma de escola pública, a qual deve basear-se no seguinte:

- reforçar a autoridade efectiva (não confundir com autoritarismo) dos professores e instituir regras rígidas de disciplina dentro e fora da sala de aula, o que pressupõe uma valorização da respeitabilidade da figura do professor;

- focalizar as preocupações e as actividades escolares nas aprendizagens dos alunos e criar um clima de escola suportivo da exigência e do rigor, de tal modo que nenhum aluno frequente a escola sem um efectivo acompanhamento, tanto do seu investimento no estudo e no trabalho, como da sua conduta relacional;

- apertar a vigilância e envolver alunos em projectos de detecção de situações de bullying;

- responsabilizar efectivamente os alunos, agressores e testemunhas silenciosas ou coniventes, pelas suas atitudes e condutas, simplificando e reforçando as penalizações em termos de trabalho em prol da comunidade escolar;

- proporcionar aos alunos mais problemáticos as actividades extra-escolares, em articulação com entidades externas à escola, que lhes permitam, quer uma ocupação activa do tempo, quer uma normalização e reorientação do seu comportamento para actividades socialmente valorizadas, de forma a desenvolverem e consolidarem competências sociais e relações ajustadas;

- promover actividades colectivas, em complemento à vida escolar, que induzam colaboração e interdependência entre potenciais agressores e vítimas.
Se muitas destas medidas não forem implementadas, de pouco valem os muros das lamentações e as análises psicossociológicas, porque o fenómeno persistirá.
Combater a violência escolar exige muito mais que o carpir público inconsequente, cuja motivação não pode ater-se a ficar bem na fotografia da condenação do obviamente condenado e condenável.


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« Responder #257 em: Março 07, 2010, 08:56:12 »



A escola de Mirandela falhou. Morreu uma criança no exacto momento em que devia estar numa aula
7.3.10 Publicado por: Ramiro Marques
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A missão principal da escola é ensinar o que merece ser ensinado. Mas a primeira missão da escola é garantir a integridade física dos alunos.


Quando a escola não cumpre a sua primeira missão, não está em condições de assegurar a sua missão principal. Uma escola que não garante a integridade física dos alunos falha em toda a linha. Há muitas escolas públicas do País que não conseguem garantir a sua primeira missão. E, claro, ficam impedidas de assegurar a sua principal missão.


A escola do Leandro falhou no dever de assegurar a integridade física do Leandro. E tudo parece indicar que também falhou no dever de responsabilizar e castigar os agressores.


Haja ou não pessoas na escola, directa ou indirectamente responsáveis pela morte do Leandro, - e só um inquérito independente pode ajuizar e concluir por uma coisa ou outra - a escola falhou na sua primiera missão. É um facto inquestionável: uma criança de 12 anos foi agredida, meses a fio, por colegas mais velhos, que já estarão identificados, e que continuam a frequentar as aulas como se nada de grave tivesse acontecido. Essa criança foi ameaçada ou agredida minutos entes de trocar uma aula por um mergulho mortal no rio. Um mergulho que lhe tirou a vida. O Leandro avisou: "vou-me atirar ao rio, já não me batem mais". Ninguém ouviu o pedido de auxílio do Leandro.


No mínimo, seria de esperar um imediato pedido de demissão do director da escola. Mas só se ouviu silêncio. No mínimo é de esperar que a DREN demita o director. Ainda não se ouviu nada. No mínimo é de esperar que os agressores sejam severamente punidos. Ainda não aconteceu nada.


Um antigo ministro das obras públicas demitiu-se do cargo um dia depois da ocorrência da tragédia na ponte de Entre-os-Rios. Foi um gesto honrado. Por analogia, seria de esperar o mesmo do director da escola de Mirandela.


A única coisa que aconteceu foi a morte do Leandro, um rapazito de 12 anos, pobre e do Interior...Coisa pouca.
http://www.profblog.org/2010/03/quem-morreu-um-rapazito-pobre-do.html


Bullying, Violência escolar
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« Responder #258 em: Março 07, 2010, 08:59:22 »



Amanhã, às 11:00, um minuto de silêncio em todas as escolas. Em memória do Leandro. Contra o bullying!
7.3.10 Publicado por: Cristina Ribas
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“Convidamos todas as escolas do país a fazerem um minuto de silêncio em homenagem ao Leandro, amanhã, às 11:00. Seja essa a ocasião para recordar a todos a gravidade deste tipo de situações. Acabar com elas é a melhor homenagem que se pode prestar ao Leandro e à sua família.”
http://www.profblog.org/2010/03/carta-aberta-de-5-ong-de-defesa-dos.html


Não podia deixar de me associar ao minuto de silêncio que estas cinco organizações não governamentais propuseram de uma forma oficial e que o Ramiro já antes tinha também proposto aqui no ProfBlog e no Facebook, às quais se associaram os movimentos independentes e tantos outros colegas.

Mas este minuto de silêncio precisa ser da nossa parte um compromisso com a vida de tantas crianças que está em jogo com o bullying: não apenas a vida física mas também a vida psicológica e a qualidade de vida. Este minuto de silêncio precisa ser da nossa parte um compromisso com cada criança e cada jovem que frequenta a escola, precisa ser um compromisso com a sua felicidade e com o seu crescimento sadio!

Que finalmente consigamos perceber quais as questões verdadeiramente centrais em educação e que só todos juntos – professores de uma maneira geral, movimentos independentes, sindicatos, tutela, pais e encarregados de educação e todos quantos de alguma forma se relacionam com a educação -, seremos capazes de dar um contributo suficientemente forte e consistente para que os nossos objectivos possam vir a ser realidade!
 


Bullying, Bullying. Violência Escolar, Indisciplina
« Última modificação: Março 07, 2010, 09:06:49 por Ambrósio » Registado
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« Responder #259 em: Março 08, 2010, 12:58:56 »



Inadmissível Insensibilidade
 

O presidente do conselho directivo da escola, José Carlos Azevedo, continua a negar-se a prestar quaisquer esclarecimentos. A morte de Leandro tornou-se mesmo um assunto quase proibido na escola. Toda a direcção mantém o silêncio, até mesmo para com a família. Ainda não dirigiu uma palavra de conforto, e ontem, durante as buscas, em que estiveram presentes membros da direcção, ninguém se aproximou dos familiares, que num choro convulsivo atiravam flores ao rio onde Leandro decidiu pôr fim à sua dor.
http://www.cmjornal.xl.pt/noticia.aspx?contentid=DEEA8E5F-001A-4EF7-A5BE-3A917ADED44B&channelid=00000181-0000-0000-0000-000000000181&h=11

 
Os fenómenos de violência escolar são da responsabilidade de todos nós, como ontem disse o Guinote numa prosa de antologia.
Mesmo subscrevendo esta afirmação, acho que alguns de nós hão-de ser mais culpados que outros.
Veja-se este triste caso do Leandro: os responsáveis pela escola - os tais que escondem números e fazem desaparecer as queixas - ainda não falaram à comunidade nem, muito menos, deixaram uma palavra de conforto aos familiares da criança desaparecida. Uma vergonha e uma escandalosa falta de responsabilidade que só pode ser limpa com o afastamento dos cargos que ocupam.

Reitor


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« Responder #260 em: Março 08, 2010, 05:54:32 »



Carta Aberta de 5 ONG de defesa dos Direitos Humanos sobre a morte do Leandro, vítima de bullying na escola
Publicado em Educação por APEDE em 06/03/2010




Ao Ministério da Educação, à Direcção Regional de Educação do Norte e ao Conselho Directivo da Escola E.B. 2,3 Luciano Cordeiro

A Amnistia Internacional – Portugal, a AMI – Assistência Médica Internacional, a Associação Portuguesa de Apoio à Vítima, a Margens – Associação para a Intervenção em Exclusão Social e Comportamento Desviante e a OIKOS – Cooperação e Desenvolvimento, juntam-se para:

 Publicamente manifestar:

- A sua sentida solidariedade com a família e amigos do Leandro, criança de 12 anos, que optou por pôr termo à sua vida devido ao espancamento repetido por dois colegas mais velhos da Escola E.B. 2,3 Luciano Cordeiro. – A sua indignação perante os factos que estão na origem de tão grave acontecimento e que, segundo familiares, já tinham tido lugar repetidas vezes, uma das quais originando internamento hospitalar do Leandro.

 Publicamente instar:

- Os destinatários da presente carta a apurarem todas as responsabilidades por acção e por omissão na morte deste jovem e concomitantemente envolverem as autoridades policiais e judiciais.

Portugal, Estado parte da Declaração dos Direitos da Criança e da Convenção dos Direitos da Criança está comprometido a respeitar e garantir os Direitos das Crianças. Prescreve, designadamente, o n.º 3 do artigo 2.º da Convenção sobre os Direitos da Criança que “Os Estados Partes garantem que o funcionamento de instituições, serviços e estabelecimentos que têm crianças a seu cargo, assegurem que a sua protecção seja conforme às normas fixadas pelas autoridades competentes, nomeadamente nos domínios da segurança e da saúde, relativamente ao número e qualificação do seu pessoal, bem como quanto à existência de uma adequada fiscalização.”

Estamos perante um caso que, à luz do ordenamento jurídico nacional e internacional, tem que ser objecto de investigação objectiva e célere. A inacção e passividade dos responsáveis constituem uma grave violação de Direitos Humanos, em especial dos Direitos das Crianças.

As Organizações subscritoras, exigem o cumprimento das normas que protegem as crianças.

Para que tanto seja possível, reforçamos a importância da Educação para os Direitos Humanos na Escola, quer para os alunos, quer para os professores e restante comunidade escolar.

Convidamos todas as escolas do país a, na segunda-feira dia 8 às 11h00 da manhã a fazerem um minuto de silêncio em homenagem ao Leandro. Seja essa a ocasião para recordar a todos a gravidade deste tipo de situações. Acabar com elas é a melhor homenagem que se pode prestar ao Leandro e à sua família.

“Todas as grandes personagens começaram por ser crianças, mas poucas se recordam disso.”Antoine de  Saint-Exupéry

As organizações subscritoras:

Amnistia Internacional – Portugal

AMI – Assistência Médica Internacional

APAV – Associação Portuguesa de Apoio à Vítima

Margens – Associação para a Intervenção em Exclusão Social e Comportamento Desviante

OIKOS – Cooperação e Desenvolvimento
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« Responder #261 em: Março 08, 2010, 06:08:36 »



Domingo, Março 07, 2010
Subscrevemos esta Carta Aberta, mas é necessário ir mais além...

O PROmova não apenas se limita a subscrever esta carta Aberta das organizações supra-referenciadas e a associar-se ao gesto simbólico proposto, de um minuto de silêncio em homenagem ao Leandro, como defende, no imediato, que o ME pudesse organizar, em todas as escolas do país, um Dia de Reflexão/Intervenção sobre a Violência em Contexto Escolar, que integrasse a divulgação de materiais vídeo, a dinamização de reflexões/debates e em que os alunos pudessem ser sensibilizados e mobilizados para a denúncia e o combate ao fenómeno da violência escolar.

Posteriormente e já com outras políticas educativas, torna-se necessário repensar princípios organizacionais e pedagógicos de funcionamento da escola pública.


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« Responder #262 em: Março 08, 2010, 06:13:04 »



segunda-feira, 8 de Março de 2010
Procurar soluções...



PSP já tem «pistas» sobre o que aconteceu a menino desaparecido
http://diario.iol.pt/sociedade/tua-buscas-bullying-mirandela-tvi24-ultimas-noticias/1145387-4071.html


Comentário: É importante que se apurem as causas, mas mais importante ainda é que o debate nacional em volta deste caso (e de outros) de bullying produza consequências. E consequências não só na lei, mas também na sua aplicabilidade, pois por melhor que seja a lei se não existirem recursos para que ela seja cumprida dará tudo no mesmo "vazio". A propósito deste tema, quantas serão as escolas que não possuem em número suficiente auxiliares da acção educativa (actuais assistentes operacionais) para assegurar o cumprimento do regulamento interno? Eu sei que em algumas existe laxismo de quem se encontra à frente da direcção, mas receio bem que esteja na altura de ponderar os recursos humanos que temos para enfrentar situações graves como a que ocorreu em Mirandela.

Apenas um aparte (ou não, depende de como o quiserem considerar): Quando eu era catraio, sempre que ocorria alguma situação de violência física entre alunos, na maioria das vezes os mais velhos (ou outros da mesma idade) tentavam separar os conflituosos. Actualmente, o que acontece é algo de substancialmente diferente, ou seja, ninguém intervém no sentido de separar e até chegamos ao extremo de termos alguém a filmar para colocar no Youtube... Já repararam nisso ou sou só eu aperceber-me desta situação?

© Publicado por Ricardo Montes às 13:59 0 Comentário(s)   

Etiqueta(s): Alunos, Nacional, Polémica
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« Responder #263 em: Março 08, 2010, 10:32:43 »

Um grupo de psicólogos lançou o Portal Bullying, onde os alunos podem denunciar agressões por parte de outros colegas.
O Portal foi lançado esta semana e convida crianças e adolescentes a partilharem as suas experiências num chat de conversação.
 
http://www.portalbullying.com.pt
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« Responder #264 em: Março 09, 2010, 03:30:55 »



Março 09, 2010
Afinal, falou... Estamos esclarecidos!

Passada quase uma semana (já lá vão 6 dias...), falou! A Ministra da Educação falou acerca do mais recente caso que abalou e fez acordar o país para o fenómeno do “bullying” nas escolas.

Custou, mas falou! Era o que mais faltava, não falar! Também era um bocado difícil fazer de conta de nada saber...

E não deixou margem para dúvidas (ver aqui...).
http://tv1.rtp.pt/noticias/?headline=20&visual=9&videos_page=2#videos_page

À pergunta sobre as suas responsabilidades, disse algo como “Vamos esperar pela conclusão (dos inquéritos) para tirar as nossas próprias conclusões e proceder em conformidade”. Esperemos apenas que as conclusões do ME não sejam diferentes da dos inquéritos...

Sobre o seu silêncio, escudou-se nos elementos da Direcção Regional que estão “diariamente” nas Escolas…

Instada sobre se já tinha recebido queixas sobre a Escola em causa, Isabel Alçada pura e simplesmente esquivou-se, não deu qualquer resposta!
Elucidativo!!! Estamos esclarecidos!!!


Manuel Salgueiro

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« Responder #265 em: Março 10, 2010, 06:11:39 »



Março 10, 2010
Quase Tudo Se Resolverá Com Um Sermão No Gabinete Do Director
Posted by Paulo Guinote under Escolas, Perturbações, Violência
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Com jeitinho a culpa será do professor, que não assegurou o sucesso ao aluno. E fico por aqui, porque é a escola onde fiz o meu ciclo preparatório (em anteriores instalações) e até conheço lá muita gente, demasiada gente, assim como sei mais do que gostaria sobre a cultura que faz o húmus deste tipo de comportamentos.


Rapaz agrediu professor com cadeirahttp://go2.wordpress.com/?id=725X1342&site=educar.wordpress.com&url=http%3A%2F%2Fdn.sapo.pt%2Finicio%2Fportugal%2Finterior.aspx%3Fcontent_id%3D1515264%26seccao%3DSul

Aluno de 12 anos atacou o docente, que ontem foi  de muletas à Escola D. Pedro II, que  já abriu um inquérito

Um rapaz de 12 anos agrediu violentamente um professor, na sala de aula e em frente aos colegas, atirando-lhe com uma mochila na cara e batendo-lhe com uma cadeira nas pernas. O caso aconteceu segunda-feira numa turma do 6.º ano da Escola D. Pedro II, na Moita. O professor sentiu-se mal, correu para a casa de banho a vomitar e teve de ser assistido no Hospital do Barreiro. A escola já abriu um processo disciplinar ao aluno, que ontem foi à escola. O professor também surgiu na escola de muletas, mas não deu aulas.

 
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« Responder #266 em: Março 12, 2010, 11:07:27 »

Citação de: http://www.publico.pt/Educação/professor-vitima-de-bullying-preferiu-morrer-a-voltar-ao-9º-b_1426720


Rio de Mouro, Sintra

Professor vítima de bullying preferiu morrer a voltar ao 9º B
12.03.2010 - 07:34 Por Romana Borja-Santos




Na véspera das aulas com aquela turma, Luís ficava nervoso. Isolava-se no quarto e desejava que o amanhã não chegasse. Não queria voltar a ouvir que era um "careca", um "gordo" ou um "cão". Não queria que o burburinho constante do 9.º B e as atitudes provocatórias de alguns alunos continuassem a fazê-lo sentir aquela angústia. O peso no peito. O sufocante nó na garganta. Luís não era um aluno. Tinha 51 anos e era professor de Música na Escola Básica 2.3 de Fitares, em Rio de Mouro, Sintra. Era. Na semana antes do Carnaval, decidiu que não voltaria a ser enxovalhado. Pegou no carro e parou na Ponte 25 de Abril. Na manhã do dia 9 de Fevereiro, atirou-se ao rio.
A direcção da escola foi várias vezes alertada para casos de indisciplina (Raquel Esperança)
 
Luís não avisou ninguém do acto radical. Mas radicalizou, segundo a família e os colegas, os apelos junto da direcção da escola para que resolvesse a indisciplina, em particular naquela turma. Fez várias participações que não terão tido seguimento. O PÚBLICO tentou ouvir a directora da escola, que justificou que só presta declarações mediante autorização da Direcção Regional de Educação de Lisboa. Fizemos o pedido e não recebemos resposta. Contudo, foi possível apurar que a Inspecção-Geral da Educação tem participações do alegado incumprimento da legislação sobre questões disciplinares por parte da direcção daquela escola.

Personalidade frágil
Na escola, impera o silêncio e os funcionários fazem um leve encolher de ombros. Alguns, sob anonimato, asseguram, tal como a família, que Luís era alvo de bullying e estava "profundamente desesperado e deprimido". A irmã de Luís, também professora, admite que o irmão era "uma pessoa complicada, frágil e reservada", mas assevera que era "um professor competente", cujos apelos "a escola ignorou". "Apenas lhe propuseram assistir a aulas de colegas para aprender a lidar com as provocações", diz.

A irmã descreve a profunda tristeza do professor nos últimos meses, ao longo dos quais "desabafou muito" com os pais, com quem ainda vivia. Nunca deu indícios do acto. Foram encontrados, depois da morte, no seu computador. "Se o meu destino é sofrer dando aulas a alunos que não me respeitam e me põem fora de mim - e não tendo eu outras fontes de rendimento -, a única solução apaziguadora será o suicídio." A frase encontrada não deixa dúvidas. Há vários desabafos escritos em alturas diferentes que convivem lado a lado com as participações sobre alguns alunos.

Luís somava à Música uma licenciatura em Sociologia e chegou a ser jornalista durante alguns anos. Era também cronista no Boletim Actual da Câmara de Oeiras, onde, no ano passado, dedicou algumas palavras aos problemas das escolas: "O clima de indisciplina nas escolas está a tornar-se insustentável. E ainda há quem culpe os professores, por falta de autoridade. Essas pessoas não fazem a mínima ideia do ambiente que se vive numa escola. Aconselho-as a verem o filme A Turma". No último boletim, o autarca Isaltino Morais dedicou-lhe um texto onde recorda a "perspicácia e apurado sentido crítico" de Luís.

Os alunos dividem-se sobre o professor, mas concordam que "era muito calado" e que "não convivia muito nem com alunos nem com professores". Uns recordam com saudade as aulas onde puderam tocar instrumentos e ver filmes relacionados com música e dança. Outros insistem que "ele era estranho" e que "não impunha respeito". Mas não negam que eram "mal comportados". "Portava-me sempre mal, mas não era por ser ele. Somos assim em todas as aulas, é da idade", reconheceu um dos alunos que tiveram mais participações por indisciplina.

Outra aluna, a única que, no fim das aulas, ficava para trás para conhecer melhor o silêncio de Luís, lamenta a partida "prematura" e arrepende-se de não ter ficado mais tempo a conversar com ele. "Tive medo do que as pessoas podiam dizer se me aproximasse. Sinto-me muito mal por não ter ajudado mais. Uma vez arrancámos-lhe um sorriso. Quando sorria era outra pessoa."



Bullying a professores
Professor de Música atira-se ao rio para não enfrentar os alunos
por Kátia Catulo, Publicado em 12 de Março de 2010  |  Actualizado há 7 horas




Colegas e familiares asseguram que o professor participou os casos de indisciplina e que a escola de Sintra terá ignorado as queixas

Na manhã de 9 de Fevereiro, L. V. C. parou o carro no tabuleiro da Ponte 25 de Abril, no sentido Lisboa-Almada. Saiu do Ford Fiesta e saltou para o rio. Há vários meses que o professor de música da Escola Básica 2+3 de Fitares (Sintra), planearia a sua morte. Em Novembro escreveu uma nota no computador de casa a justificar o motivo: "Se o meu destino é sofrer, dando aulas a alunos que não me respeitam e me põem fora de mim, não tendo outras fontes de rendimentos, a única solução apaziguadora será o suicídio".

L. V. C., sociólogo de formação, tinha 51 anos, vivia com os pais em Oeiras, era professor de música contratado e foi colocado este ano lectivo na Escola Básica 2+3 de Fitares, em Sintra. Logo nos primeiros dias terão começado os problemas com um grupo de alunos do 9º ano. A indisciplina na sala de aula foi crescendo todos os dias, chegando ao ponto de não conseguir ser ouvido. Dentro da sala, e ao longo de meses, os alunos chamaram-lhe careca, tiraram-lhe o comando da aparelhagem das mãos, subindo e descendo o volume de som, desligaram a ficha do retroprojector, viraram as imagens projectadas de cabeça para baixo.

Houve vezes em que L. V. C. expulsou os alunos da sala, vezes em que fez participações disciplinares. Foram pelo menos sete as queixas escritas que terá feito à direcção da escola, alertando para o comportamento de um aluno em particular. Colegas e familiares do professor de música asseguram que a direcção não instaurou nenhum processo disciplinar.

O i tentou confirmar esta informação, mas a directora do agrupamento escolar, Cristina Frazão, explicou que só prestaria esclarecimentos mediante autorização da Direcção Regional de Educação de Lisboa. Contactada pelo i, a entidade não respondeu até ao fecho desta edição. A Inspecção-Geral de Educação, também contactada pelo i, remeteu o caso para o Ministério de Educação que, por seu turno, não prestou esclarecimentos.

O i teve acesso a uma das participações feitas pelo professor de música. No dia 15 de Outubro de 2009, L. V. C. dirigiu à direcção da escola uma "participação de ocorrência disciplinar", informando que marcou falta disciplinar a um aluno e propondo que fossem aplicadas "medidas sancionatórias". Invocou vários motivos, entre os quais "afirmações provocatórias", insultos ou resistência do aluno em abandonar a sala.

O professor de música desabafou que não suportava mais dar aulas àquela turma do 9º ano: "Nos últimos meses, já se acanhava perante os seus alunos como se tivesse culpa", explicou ao i um familiar. Atravessar o corredor da escola foi um dos seus pesadelos, é aí que os alunos se concentram quando chove: "Um dia, chamaram-lhe cão." Nos outros dias, deram-lhe "calduços" na nuca à medida que caminhava até à sua sala de aula.

Alguns professores testemunharam a "humilhação" de L. V. C. nos corredores da escola e sabiam que se sentia angustiado por "não ser respeitado pelos alunos". Só não desconfiavam que a angústia se tivesse transformado em desespero. O professor de música não falava com ninguém. Chegava às sete da manhã para preparar a aula. Montava o equipamento de som, carregava os instrumentos musicais da arrecadação até à sala. Deixava tudo pronto e depois entrava no carro: "Ficava ali dentro, de braços cruzados, e só saia para dar a aula." L. V. C. preferia estar no carro em vez de enfrentar uma sala de convívio cheia de colegas: "Era mais frágil do que nós, dava para perceber que não tinha o mesmo estofo."

Sentia os problemas de indisciplina como "autênticos moinhos de vento", conta o psicólogo que o seguiu nos últimos dois anos. L. V. C. tinha acompanhamento psicológico e psiquiátrico e era ainda seguido por uma médica de família: "Todos os técnicos de saúde que o acompanharam aconselharam uma baixa médica porque o seu quadro clínico se agravou", conta o especialista, esclarecendo que o seu paciente "tinha fragilidades psicológicas inerentes a ele próprio". Falhas que se deterioraram. Meses antes da sua morte, pensava com insistência que lhe restava "pouco espaço de manobra".

"Evitava expulsar os alunos porque temia parecer inábil perante a direcção da escola", diz o psicólogo. Fez ainda várias tentativas antes de se sentir encurralado. Mudou os alunos problemáticos de lugar, teve explicações particulares e aprendeu a trabalhar com as novas tecnologias aplicadas à música. Introduziu equipamento multimédia para cativar os adolescentes. Não resultou. Acabaram-se os trunfos. O psicólogo fez uma recomendação à médica de família para passar uma baixa ao seu paciente por "temer o pior". "Tentámos travá-lo, mas ele próprio já não queria parar. Só parou quando se atirou ao Tejo."







Público: «Professor maltratado por alunos preferiu morrer a voltar ao 9.º B»
Escola de Sintra recusa falar do caso.

Em Mirandela, inquérito conclui que jovem não se queria matar. Ministra quer reforçar poderes das escolas


Por: /PB  |  12-03-2010  01: 05
« Última modificação: Março 17, 2010, 03:11:46 por Ambrósio » Registado
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« Responder #267 em: Março 12, 2010, 11:18:11 »


Convivi pessoalmente pelo menos durante 3 anos com o Luís (2004-2006), na Comissão de Professores Contratados do SPGL, da qual ele foi membro activo. O Luís era um amigo e camarada, homem bom, sensível, honesto e sonhador.

No passado dia 11 de Fevereiro estive presente no seu velório, onde falei com a mãe, o pai, a irmã e a empregada doméstica. O choque, a tristeza e revolta foram imensas. Casos como o do Luís têm de ser denunciados publicamente. A acção sindical tem de incluir urgentemente a violência escolar e as condições de trabalho na sua agenda imediata. Até para que a sua morte não tenha sido em vão.

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« Responder #268 em: Março 12, 2010, 09:37:45 »



A VIOLÊNCIA SOBRE OS PROFESSORES


Tenho em meu poder uma carta que me foi enviada pela irmã de um professor que se suicidou.

Fui contactado por colegas de um professor a quem um aluno atirou uma cadeira.

Recebo no SPGL vários professores que se queixam da violência e da extrema indisciplina dos alunos.

Perante esta espiral o Ministério da Educação avança com medidas de reforço do poder dos directores para suspenderem mais facilmente os agressores. Como medida imediata, até pode ser adequada. Mas a questão de fundo não é essa.

É preciso recordar que o actual “estatuto do aluno” é ele próprio uma agressão aos professores. Nenhum professor que se preze recusa apoiar um aluno que por motivos justificados falta às aulas por um período prolongado. Mas um professor fica ferido na sua dignidade e no seu amor-próprio quando se vê obrigado a “dar apoio” a alunos que não vão às aulas porque não querem, ou que vão apenas para provocar e perturbar a turma. Como recompensa, exigem depois que o professor lhes dê apoio próprio, faça não sei quantas provas de recuperação (a que eles faltam…), e muito provavelmente ainda terá o encarregado de educação a pressionar e a ameaçar o professor se o não “passar”, ameaça muitas vezes apoiada pelo director e pela associação de pais. Este estatuto do aluno foi ao tempo louvaminhado como um excelente produto de Maria de Lurdes Rodrigues. A mesma equipa que propôs que os pais avaliassem os professores. A mesma cambada que inventou que os professores faltavam desalmadamente e não se interessavam pelos seus alunos. Os mesmos incompetentes que transformaram a escola numa brincadeira em que é praticamente impossível dizer a um aluno que tem de estudar (e onde, no ensino secundário, alunos, pais e directores exigem notas de 17 e 18 como quem bebe um copo de água…). Os mesmos que afastaram os professores pedagogicamente mais preparados da direcção das escolas em nome de ”lideranças” meramente administrativas e burocráticas. Os mesmos que puseram os docentes em minoria nos Conselhos Gerais…

Foi a concepção de escola como espaço sério de trabalho que foi destruída. Foi a dignidade do professor que foi espezinhada: “Perdi os professores, mas ganhei a opinião pública” — vociferou Lurdes Rodrigues, com o aplauso de um conjunto de Sousas Tavares por tudo quanto era meio de comunicação social. O resultado aí está. Eles passaram (felizmente!) e como de costume viram a sua incompetência bem agraciada. Nós, os professores, ficamos, tentando colar os cacos de uma escola que começa a não ser viável.





A Escola não deve ser permissiva e o ME não pode continuar a fingir que a indisciplina e a violência nas escolas são excepções


FENPROF propõe, de imediato, a criação, no âmbito da Assembleia da República e com a particpação dos parceiros educativos e sociais, de um “Observatório para a Não-violência e para a Convivência Escolar”.

São em número crescente as situações de indisciplina e violência que entram pela escola dentro. Sendo verdade que a origem destes fenómenos é, por norma, exterior à escola e que esta, muitas vezes, não tem condições para evitar os impactos destes fenómenos, é necessário que, nas escolas, sejam criadas condições que permitam enfrentar, com o sucesso possível, tais situações e, em primeiro lugar, no plano da prevenção.

É sobretudo neste âmbito, que as escolas deverão poder exercer a sua autonomia, reduzindo o número de alunos por turma, desenvolvendo projectos educativos específicos adequados às dificuldades com que se confrontam, melhorando as condições em que trabalham professores e alunos e reforçando o número de funcionários auxiliares.

Evidentemente que o suicídio é sempre uma situação extrema de reacção a um problema, mas mesmo quando a reacção não é essa, a depressão, a baixa médica e a quebra de qualidade no desempenho profissional são consequências de todos conhecidas.

Para a FENPROF, independentemente da situação concreta que hoje se conheceu, os fenómenos de indisciplina e /ou violência terão de merecer a abordagem adequada e não podem continuar a passar em claro, sob pena de se tornarem cada vez mais frequentes e mais violentos. As escolas deverão ser locais de aprendizagem, de trabalho e de exigência e isso todos deverão compreender e respeitar, incluindo os alunos e as suas famílias.

A FENPROF, no seu anterior congresso, realizado em 2007, aprovou um conjunto de medidas concretas que, na altura, apresentou ao Ministério da Educação. Mas, para uma equipa ministerial que sempre desvalorizou estas situações, tais propostas foram ignoradas apesar de se perceber um aumento da sua frequência.

A FENPROF não desiste de as propor e reafirma, em primeiro lugar, a necessidade de ser criado, no âmbito da Assembleia da República e com a participação dos parceiros educativos e sociais, um “Observatório para a não-violência e para a convivência escolar”, a par de outras medidas de entre as quais se destacam:

- A atribuição às Escolas e Agrupamentos de Escolas dos recursos humanos, financeiros e materiais necessários para o desenvolvimento de planos de actividade que concretizem os seus Projectos Educativos, designadamente para:

- A diminuição da relação alunos/professor, a relação turmas/professor e a relação níveis/professor;

- A criação de equipas multidisciplinares que favoreçam o acompanhamento do percurso escolar dos alunos e a mediação de conflitos;

- A negociação de protocolos de cooperação entre as escolas e os operadores sociais integrados no meio em que a escola se integra;

- A garantia de apoio jurídico e judicial a todos os profissionais de educação (professores e pessoal auxiliar) vítimas de violência física e verbal em contexto escolar ou com ele relacionado;

- A integração nos planos de estudo da formação inicial, bem como nos planos de formação contínua de docentes da temática da gestão de conflitos e da não-violência e convivência escolares.

A FENPROF irá solicitar ao Ministério da Educação uma reunião com o único propósito de apreciar esta situação e de serem tomadas medidas adequadas a combatê-lo.


O Secretariado Nacional da FENPROF
12/03/2010





CN da FENPROF aprovará exigências para enfrentar a indisciplina e a violência em espaço escolar e proposta para considerar o stress como doença profissional dos docentes


O Conselho Nacional da Federação Nacional dos Professores, órgão máximo entre congressos, reúne no próximo sábado, 20 de Março, a partir das dez da manhã, na sede da FENPROF, em Lisboa.

Na ordem de trabalhos constam, entre outros aspectos, a tomada de posição face ao PEC anunciado pelo Governo e a aprovação de uma posição a entregar ao ME e à Assembleia da República em que se exigem medidas imediatas de combate às crescentes situações de indisciplina e violência em espaço escolar, algumas das quais serão propostas, propondo-se, ainda, que o stress seja considerado como doença profissional dos docentes, com todos os mecanismos de protecção que lhe deverão estar associados.

Pelas 18 horas, no final da reunião do Conselho Nacional, na sede da FENPROF, terá lugar uma Conferência de Imprensa em que se divulgarão as posições aprovadas.

Dada a importância dos assuntos em causa, apelamos aos/às Senhores/as Jornalistas para estarem presentes.

REUNIÃO COM A COMISSÃO DE EDUCAÇÃO
DA ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA

A FENPROF reúne esta terça-feira, dia 16, pelas 17 horas, com a Comissão de Educação e Ciência da Assembleia da República, a convite deste comissão. Da ordem de trabalhos consta o balanço sobre o processo negocial e a solução final referente ao ECD, incluindo o modelo de avaliação de desempenho. Na oportunidade, a FENPROF não deixará de manifestar outras preocupações, onde se incluem as relativas aos problemas de indisciplina e violência nas escolas, gestão escolar e Educação Especial.

O Secretariado Nacional da FENPROF
15/03/2010
« Última modificação: Março 15, 2010, 04:27:44 por Ambrósio » Registado
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« Responder #269 em: Março 12, 2010, 10:26:15 »



Março 12, 2010
A Verdade Oficial
Posted by Paulo Guinote under Perturbações
[4] Comments


Leandro morreu porque queria chamar a atenção (e conseguiu!), de acordo com a PSP.
Luís Carmo morreu porque era frágil psicologicamente (e demonstrou-o!), de acordo com o Director-Regional de Educação de Lisboa.

Nada como as instituições portuguesas para daremrapidamente as explicações correctas para o que se passou e evitarem perturbações desnecessárias.

Não deixa de ser curioso que em Fitares exista quem já disponha do que ao colega falecido faltou (ler algumas coisas que são transcritas nesta notícia desaconselham mesmo qualquer comentário mais frontal, porque pode sair a 300 à hora) , assim como não deixa de ser interessante que no caso da agressão violenta verificada numa escola da Moita, se destaque que o aluno (agressor) esteja calmo e a frequentar a escola sem agitação do seu quotidiano.

No fundo as aparentes vítimas não o são. Vítimas são aqueles que podem ver a sua vida pertubada pela vitimização dos desaparecidos, esses egoístas, em busca de atenção e/ou deprimidos.

Deveriam ser extintos.

Eugenia, já!

Dos fracos não deve rezar a História!

Andassem por cá e deveriam levar dez dias de suspensão que é para não se armarem em vítimas…




Culpado por ser frágil...



Professor vítima de 'bullying' tinha "fragilidade psicológica".
http://dn.sapo.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=1517378&seccao=Sul


Comentário: Fiquei chocado e até certo ponto incrédulo com o artigo acima indicado, nomeadamente na parte que a seguir coloco:

"O director regional de Educação de Lisboa espera que o inquérito instaurado numa escola de Fitares esclareça o caso de um professor que se suicidou e que era alegadamente gozado pelos alunos, mas sublinhou que o docente tinha uma "fragilidade psicológica" há muito tempo."

Reparem que os alunos alegadamente gozavam o professor... alegadamente... Mas quanto à fragilidade psicológica do professor, já este senhor director não tem qualquer dúvida. Depois de um grande parte do dia em tristeza, não consigo deixar de expressar aqui a minha revolta quando ouço responsáveis máximos de instituições que nos deveriam defender a serem lestos em apurar a fragilidade do professor, mas não tenham sido igualmente rápidos a determinar a culpa dos alunos ou de outras personagens eventualmente envolvidas. Bem... Nem sei muito bem o que mais hei-de escrever. Hoje foi definitivamente um dia estranho! Já há muito que não me sentia assim...



© Publicado por Ricardo Montes




Ainda na quarta-feira passada, concluí um post relativo à agressão a um colega, com a seguinte questão: "Será necessário morrer um professor para também se discutirem soluções para agressões deste tipo?". Não sabia eu que tal já havia ocorrido (1 mês antes, ou seja, a 9 de Fevereiro)... Juntem a este artigo, este outro do jornal "Público" e poderão fazer um retrato minimamente fiel (obviamente que nem podemos pretender compreender na totalidade a angústia deste colega, mas dá para ficar com uma ideia) do tormento a que este docente terá sido sujeito durante meses.

Não consigo deixar de manifestar o meu pesar por um colega de profissão que levado ao extremo decide terminar a sua vida. Não são só os alunos que são vítimas de bullying... Os professores também são e de que maneira. Será agora a altura de começar a discutir soluções ou é mais um daqueles casos para esquecer ou falar enquanto for "quente"? Todos conhecemos escolas com directores permissivos, a que podem ser apontados dedos, mas a legislação também não ajuda. Mais, quantos de nós já vimos colegas a serem maltratados por alunos e nada fizemos por eles? E nada fizemos com receio que passássemos nós a ser o alvo dos alunos. Para mim, hoje é um dia triste... Para mim, hoje é um dia de profunda reflexão...
------------------------

© Publicado por Ricardo Montes às 11:31 11 Comentário(s)   

Etiqueta(s): Professores


© Publicado por Ricardo Montes às 19:30 1 Comentário(s)   

Etiqueta(s): DRE´s, Polémica, Professores


Blogosfera: Reacções à morte do colega vítima de bullying.

Durante o dia de hoje irei colocando artigos, posts de outros blogues e reacções várias à morte do nosso colega neste post. Não podemos deixar que esta situação seja esquecida...

ProfBlog: "Isto é de uma gravidade extrema. O bullying não atinge apenas alunos. Há muitos professores que são vítimas silenciosas. E há encobridores que protegem os bullies"

Miguel Blog Portugal: "Execrável"
http://miguelblogportugal.blogspot.com/2010/03/execravel.html

A Educação do meu Umbigo: "Chegou Tarde à Imprensa"
http://educar.wordpress.com/2010/03/12/chegou-tarde-a-imprensa-2/

Exílio de Andarilho: "O caso do professor da escola de Sintra"
http://exilioandarilho.blogspot.com/2010/03/o-caso-do-professor-da-escola-de-sintra.html

Pensar por escrito: "PROBLEMA Nº 1 DO ENSINO : A INDISCIPLINA"
http://pensarporescrito.blogspot.com/2010/03/problema-n-1-do-ensino-indisciplina.html

outrÒÓlhar: "Que Escola é esta?"
http://olhardomiguel.wordpress.com/2010/03/12/que-escola-esta/

Candidato a Professor: "Ainda o bullying - morte de um professor"
http://candidatoaprofessor.blogspot.com/2010/03/ainda-o-bullying-morte-de-um-professor.html

O Trabalho Induca e o Vinho Enstrói: "Pior cego é o que não quer ver"
http://inducacao-enstrocao.blogspot.com/2010/03/pior-cego-e-o-que-nao-quer-ver.html

Nota: Apelo aos colegas que todos os desabafos e opiniões que tenham e que queiram partilhar sejam feitos no post abaixo. Obrigado.
http://profslusos.blogspot.com/2010/03/morte-de-um-professor-vitima-de.html
 



sábado, 13 de Março de 2010
Sobre o suicídio do professor vítima de violência

 
O colega Paulo Ambrósio enviou-nos o texto, escrito por si, e a notícia do Público que a seguir transcrevemos. Ambos os artigos são particularmente significativos.
O agradecimento ao Paulo Ambrósio.


«Convivi pessoalmente pelo menos durante 3 anos com o Luís (2004-2006), na Comissão de Professores Contratados do SPGL, da qual ele foi membro activo. O Luís era um amigo e camarada, homem bom, sensível, honesto e sonhador.

No passado dia 11 de Fevereiro estive presente no seu velório, onde falei com a mãe, o pai, a irmã e a empregada doméstica. O choque, a tristeza e revolta foram imensas. Casos como o do Luís têm de ser denunciados publicamente. A acção sindical tem de incluir urgentemente a violência escolar e as condições de trabalho na sua agenda imediata. Até para que a sua morte não tenha sido em vão.»
Paulo Ambrósio


Professor vítima de bullying preferiu morrer a voltar ao 9.º B





«Na véspera das aulas com aquela turma, Luís ficava nervoso. Isolava-se no quarto e desejava que o amanhã não chegasse. Não queria voltar a ouvir que era um "careca", um "gordo" ou um "cão". Não queria que o burburinho constante do 9.º B e as atitudes provocatórias de alguns alunos continuassem a fazê-lo sentir aquela angústia. O peso no peito. O sufocante nó na garganta. Luís não era um aluno. Tinha 51 anos e era professor de Música na Escola Básica 2.3 de Fitares, em Rio de Mouro, Sintra. Era. Na semana antes do Carnaval, decidiu que não voltaria a ser enxovalhado. Pegou no carro e parou na Ponte 25 de Abril. Na manhã do dia 9 de Fevereiro, atirou-se ao rio.
A direcção da escola foi várias vezes alertada para casos de indisciplina (Raquel Esperança)

Luís não avisou ninguém do acto radical. Mas radicalizou, segundo a família e os colegas, os apelos junto da direcção da escola para que resolvesse a indisciplina, em particular naquela turma. Fez várias participações que não terão tido seguimento. O PÚBLICO tentou ouvir a directora da escola, que justificou que só presta declarações mediante autorização da Direcção Regional de Educação de Lisboa. Fizemos o pedido e não recebemos resposta. Contudo, foi possível apurar que a Inspecção-Geral da Educação tem participações do alegado incumprimento da legislação sobre questões disciplinares por parte da direcção daquela escola.

Personalidade frágil
Na escola, impera o silêncio e os funcionários fazem um leve encolher de ombros. Alguns, sob anonimato, asseguram, tal como a família, que Luís era alvo de bullying e estava "profundamente desesperado e deprimido". A irmã de Luís, também professora, admite que o irmão era "uma pessoa complicada, frágil e reservada", mas assevera que era "um professor competente", cujos apelos "a escola ignorou". "Apenas lhe propuseram assistir a aulas de colegas para aprender a lidar com as provocações", diz.

A irmã descreve a profunda tristeza do professor nos últimos meses, ao longo dos quais "desabafou muito" com os pais, com quem ainda vivia. Nunca deu indícios do acto. Foram encontrados, depois da morte, no seu computador. "Se o meu destino é sofrer dando aulas a alunos que não me respeitam e me põem fora de mim - e não tendo eu outras fontes de rendimento -, a única solução apaziguadora será o suicídio." A frase encontrada não deixa dúvidas. Há vários desabafos escritos em alturas diferentes que convivem lado a lado com as participações sobre alguns alunos.

Luís somava à Música uma licenciatura em Sociologia e chegou a ser jornalista durante alguns anos. Era também cronista no Boletim Actual da Câmara de Oeiras, onde, no ano passado, dedicou algumas palavras aos problemas das escolas: "O clima de indisciplina nas escolas está a tornar-se insustentável. E ainda há quem culpe os professores, por falta de autoridade. Essas pessoas não fazem a mínima ideia do ambiente que se vive numa escola. Aconselho-as a verem o filme A Turma". No último boletim, o autarca Isaltino Morais dedicou-lhe um texto onde recorda a "perspicácia e apurado sentido crítico" de Luís.

Os alunos dividem-se sobre o professor, mas concordam que "era muito calado" e que "não convivia muito nem com alunos nem com professores". Uns recordam com saudade as aulas onde puderam tocar instrumentos e ver filmes relacionados com música e dança. Outros insistem que "ele era estranho" e que "não impunha respeito". Mas não negam que eram "mal comportados". "Portava-me sempre mal, mas não era por ser ele. Somos assim em todas as aulas, é da idade", reconheceu um dos alunos que tiveram mais participações por indisciplina.

Outra aluna, a única que, no fim das aulas, ficava para trás para conhecer melhor o silêncio de Luís, lamenta a partida "prematura" e arrepende-se de não ter ficado mais tempo a conversar com ele. "Tive medo do que as pessoas podiam dizer se me aproximasse. Sinto-me muito mal por não ter ajudado mais. Uma vez arrancámos-lhe um sorriso. Quando sorria era outra pessoa."»

Romana Borja-Santos, Público (12/3/10)

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« Última modificação: Março 19, 2010, 10:42:10 por Ambrósio » Registado
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