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Violência nas escolas

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158862 Mensagens em 13083 Tópicos- por 41471 Membros - Membro Mais Recente: Aldirene

Setembro 10, 2010, 02:43:18
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Autor Tópico: Violência nas escolas  (Lida 47551 vezes)
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Endurecer a luta, correr com a ministra!

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« Responder #270 em: Março 12, 2010, 10:33:02 »

igos da Escola Pública

Sexta-feira, Março 12, 2010
Mostrem As 7 Participações Que O Professor Entregou À Direcção
 

Pais e professores indignados com associação entre suícidio e indisciplina
http://dn.sapo.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=1517378&seccao=Sul

Assim todos poderíamos saber se podia haver alguma ligação entre a indisciplina dos alunos do 9ºB que, alegadamente, chamavam "cão" ao professor ou se estaremos perante um caso de indignação colectiva.

Mostrem!

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às 17:27 3 comentários   Links para esta postagem

Marcadores: Tirem-lhes o véu
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« Responder #270 em: Março 12, 2010, 10:33:02 »

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« Responder #271 em: Março 12, 2010, 10:36:37 »



"Perdi o(s) professor(es)..."


 
Cinco anos de ataques sucessivos e soezes do socratismo à dignidade e à respeitabilidade dos professores só podiam dar nisto e em outras situações afins de violência e de degradação da vida escolar.

Quem não se recorda da tirada cínica e odiosa de Maria de Lurdes Rodrigues no início do seu mandato: "Perdi os professores, mas ganhei a opinião pública” (que, por acaso, a desditosa também não ganhou…). São, de facto, muitos os professores que a escola e o país foram perdendo ao longo destes anos, preferindo aposentarem-se, mesmo com grandes penalizações, do que verem-se enxovalhados por gentalha impreparada e prepotente.

Ao Luís e a outros colegas, que morreram no silêncio de uma amargura, frustração e revolta silenciosa, perdemo-los definitivamente e, nem sequer, somos dignos deles, porque muitos, ainda hoje, continuam a pactuar com estas políticas educativas e com esta gentalha que nos desgoverna.

É lastimável que num país inculto e politicamente narcotizado nunca se apurem responsabilidades ao mais alto nível pelas consequências das políticas imbecis que se implementam.

Porque estas situações também são a consequência das políticas da gentinha reles e medíocre que nos saiu na rifa da “boy”zada cor-de-rosa.
Mais logo, desenvolverei, no blogue do PROmova, uma análise mais desenvolvida da destruição impune da escola pública que o socratismo representa.




In Público, 12/03/2010


Publicada por Octávio V Gonçalves 2 comentários   
Etiquetas No país de Sócrates
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« Responder #272 em: Março 13, 2010, 02:42:09 »



13 Março 2010 - 00h30

Sintra
Directora escondeu carta a professores



13 Março 2010 - 00h30

Sintra
Directora escondeu carta a professores
Luís Vaz do Carmo atirou-se da ponte 25 de Abril. Família alega que não aguentava maus tratos infligidos pelos alunos. Quase todos os dias ambulâncias do Cacém são chamadas a escolas.



A directora da Escola dos 2º e 3º ciclos de Fitares (Sintra), Cristina Frazão, terá escondido uma carta em que a família do professor Luís Vaz do Carmo pedia à escola para reflectir sobre as agressões de alunos que terão conduzido o docente, de 51 anos, ao suicídio. Ontem, um mês após a morte, e só depois de o caso ter vindo a público, a Direcção Regional de Educação de Lisboa (DREL) anunciou a abertura de um inquérito, com carácter urgente.

O professor dava aulas de Música numa área que integra 30 escolas e onde os Bombeiros Voluntários de Agualva-Cacém garantem que há situações de violência quase todos os dias. Segundo o comandante Luís Pimentel, "ambulâncias são deslocadas para as escolas para socorrer alunos, muitos dos quais vítimas do uso de armas brancas".

A 9 de Fevereiro, o professor Luís Vaz do Carmo parou o carro na ponte 25 de Abril e atirou-se ao rio Tejo. A família acusa a direcção da escola de nada fazer para travar a violência dos alunos. E, segundo apurou o Correio da Manhã, deu conhecimento à DREL de uma carta com um pedido de reflexão ao conselho pedagógico da escola sobre os actos de violência verbal que conduziram o professor à morte.

Segundo a irmã do professor de Música, que é também professora, no Algarve, e que pediu o anonimato, a carta foi primeiro enviada à directora da escola, Cristina Frazão, "que a ignorou e não deu conhecimento do seu conteúdo ao conselho pedagógico".

A carta referia que a escola recebera queixas sistemáticas (sete) do professor Luís Vaz do Carmo sobre as agressões dos alunos e que não foi encontrada qualquer solução de acordo com as medidas que a lei prevê. Os alunos insultavam o professores e tratavam-no por "careca" e "gordo". Terão ainda partido o espelho do carro e por várias vezes o impediram de dar as aulas.

Confrontada com o ambiente de violência escolar, a ministra da Educação, Isabel Alçada apelou à serenidade: "Temos de ter uma atitude de serenidade e de equilíbrio, e temos de pensar que a vida das crianças deve estar acima dos debates."

PORMENORES

145 CASOS EM 2009

A Procuradoria-Geral Distrital de Lisboa investigou, no ano passado, 145 casos de violência escolar.

UMA AGRESSÃO POR DIA

O relatório Escola Segura revela que 206 professores foram agredidos nas escolas no ano lectivo de 2007/2008, o que resulta em mais de uma agressão por dia.

CRIMES PÚBLICOS

O procurador-geral da República, Pinto Monteiro, defende que os crimes de violência escolar passem a ser públicos, como já sucede nos casos de violência doméstica.

APOIO PSICOLÓGICO A ALUNOS

O director regional de Educação de Lisboa, José Joaquim Leitão, revelou ontem que será enviada uma equipa de psicólogos para apoiar os alunos na escola de Fitares. "Temos de nos esforçar para que estas situações possam ser ultrapassadas. Trata-se de jovens que são, na sua generalidade, bons alunos e que não podem transportar na sua vida uma situação de culpa que os pode condicionar pela negativa", afirmou, classificando o "caso de lamentável".

MÃE CRITICA INQUÉRITO DA PSP

Amália Nunes mostra-se revoltada com o retrato que o inquérito da PSP faz do seu filho Leandro, menino de 12 anos que se atirou, na semana passada, ao rio Tua. A investigação, já tornada pública, aponta Leandro não apenas como vítima de violência escolar, mas também como agressor. "Se ele se defendesse, não era agredido tantas vezes e não acontecia esta tragédia", exclama a mãe, que deixa uma questão: "Como podia bater em alunos que têm 15 e 16 anos? O meu filho era tão pequeno!"

Amália diz que não tem conhecimento oficial do inquérito e que vai esperar pela sua conclusão. Contudo, nada a vai demover de processar a escola. "Só fico descansada quando o Conselho Executivo for posto na rua", desabafa.

Os pais de Leandro apenas serão ouvidos pela Inspecção-Geral de Educação na próxima sexta-feira (dia 19). Um inspector está em Mirandela para prosseguir o inquérito aberto pelo Ministério e vai deslocar-se à localidade de Cedainhos. Serão recolhidos os testemunhos da tia de Leandro, Paula Nunes, e do primo Ricardo que viu o menino desaparecer nas águas do Tua. Antes disso, outros familiares vão igualmente prestar declarações.

Paula Nunes defende que este procedimento devia ter sido feito logo após a abertura do inquérito e adianta ao CM o que vai dizer: "A culpa é da escola."

PAIS CHAMADOS A ASSINAR TERMO

A Escola EB 2/3 Luciano Cordeiro está a convocar todos os pais para se dirigirem à escola para assinarem um termo de responsabilidade caso permitam que os filhos saíam do recinto em horário escolar. Para evitar outro caso idêntico.

PANCADAS NA CARECA E INSULTOS

Luís Vaz Carmo sentia-se humilhado e arrasado por os alunos chegarem ao ponto de lhe baterem com a mão (calduços) na careca e lhe chamarem ‘cão’. No computador escreveu em Novembro: "Se o meu destino é sofrer, dando aulas a alunos que não me respeitam e me põem fora de mim, não tendo outras fonte de rendimento, a única solução apaziguadora será o suicídio".

"FRAGILIDADES PSICOLÓGICAS"

O director regional de Educação de Lisboa, José Joaquim Leitão, disse que o professor apresentava "uma fragilidade psicológica desde há muito tempo". Já a sua irmã, também professora, explicou que Luís Vaz Carmo "foi chamado pela direcção da escola por efectuar muitas participações disciplinares dos alunos e para lhe dizerem que iria aprender a reagir a insultos".

NOTAS

PROFESSORA: SURPRESA

A professora de Francês, Ana Sofia Ribeiro, estranha que a morte esteja relacionada com mau comportamento de alunos. "Na disciplina esta escola está de parabéns", disse

PSICÓLOGO: DOCENTES

O apoio psicológico nas escolas não se estende aos docentes. Estes, como os demais trabalhadores, recorrem a atestados médicos e aos psicólogos do SNS ou a acompanhamento privado

LEANDRO: MÃE VOLTA AO CURSO

Amália Nunes, mãe de Leandro, retomou ontem as aulas de um curso de Geriatria, em Mirandela, que frequentou até 2 de Março, dia da tragédia que lhe levou o filho de 12 anos

"TOLERÂNCIA ZERO À INDISCIPLINA NA ESCOLA": João Grancho Pres. Ass. Nac. de Professores sobre a perseguição a um professor que acabou por se suicidar

Correio da Manhã – O que leva um aluno a sequer pensar que pode chamar a um professor ‘cão’ e ‘gordo’, insultos dirigidos a ao docente que em Fevereiro cometeu suicídio?

– É uma questão muito complexa; a indisciplina resulta de muitos factores, entre os quais a circunstância de apenas reagirmos às situações em vez de preveni-las, dotando as escolas de equipas multidisciplinares que acompanhem estes alunos desde o início. Mas só se olha para a manifestação final de qualquer coisa – o desrespeito pelas normas da convivência que permite um ambiente de normalidade na escola começa muito antes.

– Para além dessa acção preventiva, qual a reacção mais adequada diante da indisciplina?

– Tolerância zero, o que significa não deixar passar em claro os actos de indisciplina. Não dizer que é próprio da idade, porque não o é. Há aqui um problema de base – só são ensinados e educados os que se disponibilizam para isso; se não valorizam a escola e não se dispõem a aprender...

– É útil acrescentar responsabilidade aos pais?

– Os pais já são responsabilizados pelos actos dos filhos. Quanto ao corte de subsídios, de que se falou muito recentemente, não sei se será boa ideia porque aos ricos pouco afecta enquanto aos pobres acrescenta revolta e desinteresse.

– Há relação entre violência e a indisciplina e o ambiente socio--económico dos alunos?

– Não. Os alunos não reconhecem a autoridade, o que pode ser reflexo da relação com os pais, que são o primeiro referencial neste domínio.

– Qual tem sido a evolução da linha de apoio aos professores alvo de violência dos alunos?

– O número de pedidos de ajuda baixou 80%, mas, tal como a nossa associação explicou no início, esta linha não é um observatório. O decréscimo é sinal de que as queixas têm encontrado eco nas escola.



João Saramago / E.P./ Isabel Ramos






Docentes da Escola Básica de Fitares asseguram que o caso de Luís é apenas um exemplo

Na escola do professor que se matou os casos de violência são constantes
13.03.2010 - 08:49



Na Escola Básica de Fitares, em Rio de Mouro, Sintra, continua a imperar o silêncio. Mas agora vem acompanhado de apreensão. De ainda mais medo. Muitos docentes olham para o caso do professor de Música que se suicidou e revêem-se no seu desespero. Luís atirou-se da Ponte 25 de Abril a 9 de Fevereiro por não aguentar a indisciplina dos alunos. Não era caso único. Era a ponta de um novelo que, ao ser desenrolado, revela histórias de professores agredidos por alunos e pais. Insultos verbais. O último caso grave aconteceu na semana passada. Uma professora de Educação Visual desmaiou depois de ter sido empurrada pelos alunos. Teve um traumatismo craniano.
 
Carta sobre indisciplina na escola não passou das mãos da directora (Raquel Esperança)
 
A família do professor Luís admite que "poucos, perante o mesmo problema, reagiriam desta forma" - o suicídio. Contudo, a sua irmã, também docente, questiona "quantos professores não se encontram neste momento de atestado médico ou a leccionar no limite das suas forças, por situações semelhantes?" Descreve o irmão como alguém "solitário, sensível e psicologicamente frágil" e com "dificuldade em se impor". Mas insiste: "Será que um professor tem que ser um super-homem? Qualquer um, independentemente das suas características, não tem o direito a ser respeitado?"

Os desabafos fazem parte de uma carta que enviou em Fevereiro ao Conselho Pedagógico da escola, presidido pela directora da instituição, Cristina Frazão. Não teve resposta. Fez questão de dirigir a carta ao órgão. Queria que a falta de apoio às participações de alunos feitas por Luís (pelo menos sete) fosse o ponto de partida para uma "reflexão profunda" sobre a indisciplina. Mas a carta não passou das mãos da directora. Na Inspecção-Geral da Educação estão também pelo menos três queixas. A família aguarda agora os resultados do inquérito que o Ministério da Educação decidiu ontem abrir, depois de o director regional de Educação de Lisboa ter visitado a escola. À saída, José Leitão esclareceu que o objectivo é perceber se o suicídio foi uma consequência do bullying e afirmou que Luís apresentaria "uma fragilidade psicológica desde há muito tempo". Estava na escola desde Setembro. Não aguentou seis meses de angústia. Não suportou a ideia de ouvir novamente que era um "cão" ou um "careca". Não queria voltar a ser empurrado e a cair em público.

"Não foi só ele. Eu já fui empurrado, uma professora já desmaiou duas vezes. É constante e a direcção nada faz com as queixas e as pessoas têm medo", contou ao PÚBLICO, sob anonimato, um dos docentes da escola. "Há umas semanas uma funcionária foi empurrada nas escadas por um aluno do 5.º ano. Contamos os dias para a reforma e quando temos oportunidade mudamos de escola", disse outro docente.

Quando se suicidou, Luís estava há poucos dias de atestado, a conselho do seu psicólogo e da directora. "Recentemente e em consequência do stress inerente à sua actividade profissional, nomeadamente questões de indisciplina e mesmo ocorrências sentidas como actos de desrespeito por parte de alguns alunos, verifica-se um claro agravamento do seu quadro clínico", lê-se num relatório do psicólogo.

A história é de Luís e da escola mas os sindicatos asseguram que traduz a realidade. O secretário-geral da Federação Nacional de Professores assume que são raros os casos extremos. Mário Nogueira atribui a situação à anterior tutela do ME por ter ajudado a "denegrir" a profissão de professor. "O pior que pode acontecer neste caso é desvalorizar-se a situação e dizer-se que só aconteceu porque era frágil. As pessoas não são frágeis. Têm momentos de fragilidade e é preciso agir preventivamente." Opinião semelhante tem o secretário-geral da Federação Nacional dos Sindicatos da Educação que diz que o que aconteceu a Luís pode ser vista como "uma doença profissional".

Na escola, Luís pouco falava. Guardava para si o seu sofrimento. Óscar Soares, do grupo de professores contratados do Sindicato dos Professores da Grande Lisboa, a que Luís também pertencia, recorda-o como alguém que "se envolvia, entusiasmava e reflectia sobre as coisas". Filomena Serrão trabalha na Câmara de Oeiras (onde o professor colaborava no boletim) e conheceu-o noutros tempos no Coro de Santo Amaro de Oeiras. "Uma pessoa muda muito em 20 anos mas recordo-o como um flautista fantástico. Nos últimos tempos cruzei-me pouco com ele, mas nada fazia prever isto."

Mas Luís deixou avisos. "Em relação ao suicídio só tenho uma coisa a opor: será justo que os bons vão embora e fiquem cá apenas os medíocres?" Deixou a frase no seu computador.




Afinal havia outros casos


Como seria, infelizmente, de esperar, há mais casos de “bullying” na Escola de Fitares, Sintra, onde leccionava o professor que em Fevereiro se suicidou, sendo o último caso grave o de uma professora que foi empurrada e por alunos e “brindada” com um traumatismo craniano (ler aqui...).
http://www.publico.pt/Sociedade/na-escola-do-professor-que-se-matou-os-casos-de-violencia-sao-constantes_1426893

Curiosamente, o Ministério da Educação não “dá dados sobre eventuais casos de violência na escola de Fitares” (ler aqui...).
http://jornal.publico.clix.pt/noticia/13-03-2010/ministerio-nao-revela-dados-sobre-fitares-18983266.htm

O mais provável é nunca ter havido violência na dita Escola, mas alguma coisa aqui não está bem. Como explicar que, subitamente e por geração espontânea, se tenha instalado um microclima de violência na Escola? Ou há aqui alguém que andou/anda a faltar à verdade?

Tudo isto parece, no mínimo, muito estranho...


Manuel Salgueiro

Publicada por Octávio V Gonçalves 1 comentários   
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« última modificação: Março 14, 2010, 11:48:27 por Ambrósio » Registado
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« Responder #273 em: Março 13, 2010, 05:34:08 »



Metem nojo



ler mais aqui...
http://dn.sapo.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=1517378&seccao=Sul

Estas declarações do director regional de Educação de Lisboa foram absolutamente lamentáveis e geraram uma enorme indignação junto dos professores.

O que era expectável e decente da parte do director regional de Educação de Lisboa era uma tomada de posição que não poderia afastar-se muito das seguintes considerações:

- dar uma explicação do facto de as sucessivas queixas do professor e do contexto que envolveu o suicídio do docente não terem desencadeado de imediato a abertura de um inquérito, tanto por parte da escola, como da DREL, parecendo que se actua apenas a reboque da mediatização das situações;

- lamentar profundamente a morte de um professor, particularmente nas circunstâncias dramáticas em que esta ocorreu, reforçando a determinação da DREL em apurar, de forma concludente, a eventual existência de condutas gravemente atentatórias do respeito que é devido a um professor e, a existirem indícios de insultos, determinar a suspensão imediata dos alunos envolvidos;

- deixar claro que, a ser verdade que os alunos insultavam o professor, tais condutas são absolutamente condenáveis e inadmissíveis numa escola, pelo que não poderão deixar de ter a penalização adequada, em função dos resultados do inquérito.
Mas, ao invés, o director regional optou por proteger, de forma subentendida, os alunos e fazer imputações de "fragilidade psicológica" a alguém que não foi defendido em vida e não pode agora assumir a sua defesa face a tentativas de esbaterem à partida motivos que possam ter precipitado o seu suicídio e de confiná-los a problemas psicológicos do próprio, antecipando indevidamente eventuais conclusões do inquérito.

Mas, esta nata do socratismo tem uma orientação clara: menosprezar os professores e cultivar a sobreprotecção de alunos indisciplinados e mal-educados.

Os professores têm o direito de conhecer as sete participações apresentadas pelo colega Luís e o tratamento que foi dado às mesmas.
De facto, há posturas que metem nojo!

É importante disponibilizar aqui o testemunho do Paulo Ambrósio que conviveu com o malogrado colega Luís, pois fornece-nos um importante e respeitável retrato do mesmo.
"Convivi pessoalmente pelo menos durante 3 anos com o Luís (2004-2006), na Comissão de Professores Contratados do SPGL, da qual ele foi membro activo. O Luís era um amigo e camarada, homem bom, sensível, honesto e sonhador.
No passado dia 11 de Fevereiro estive presente no seu velório, onde falei com a mãe, o pai, a irmã e a empregada doméstica. O choque, a tristeza e revolta foram imensas. Casos como o do Luís têm de ser denunciados publicamente. A acção sindical tem de incluir urgentemente a violência escolar e as condições de trabalho na sua agenda imediata. Até para que a sua morte não tenha sido em vão." (Paulo Ambrósio)


Publicada por Octávio V Gonçalves 2 comentários   
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Março 14, 2010
Evocação – Luís Carmo
Posted by Paulo Guinote under In Memoriam, Poesia
[22] Comments
Envio poema dedicado ao colega que se suicidou.
.
A culpa não tem desculpa
E a morte não tem regresso.
O resto é o deserto sufocado
Na jaula do silêncio
Onde o medo se mede
Ao milímetro minuto
Enquanto a tela se tece
Com negro de bréu.
Uma clave de sol com dó de si
Numa arena de tigres
Retocando nos retalhos da chacota
O seu nocturno de Chopin.
Faça-se silêncio por favor
Que o pavor ainda ressoa
À tona das águas.


Maria Isabel Fidalgo
« última modificação: Março 15, 2010, 03:05:18 por Ambrósio » Registado
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« Responder #274 em: Março 13, 2010, 09:54:54 »

Os "iluminados" insistem em afirmar que a escola só é democrática agora, quando os delinquentes têm todo o tipo de atenção e apoio, para poderem, impunemente ipossibilitar a aprendizagem dentro da sala de aula e agredir, roubar e traficar nos intervalos. Na minha fraca opinião, lamento se me consideram elitista por isto, a escola serve para os alunos que o são, na verdadeira acepção da palavra. Enquanto o governo insistir em apaparicar os vândalos e não os responsabilizar criminalmente por aquilo que fazem, o ensino está refem dos mesmos. Como é que podemos achar que a escola é democrática quando, quem pode, estuda ou num colégio privado ou numa escola estatal sossegada onde pode aprender e tentar entrar numa universidade e os bons alunos de bairros problemáticos (e os seus desafortunados professores) apenas têm que suportar delinquentes numa base diária, sem qualquer hipótese de pelo menos andarem pela escola sem medo, quanto mais estudar calmamente?
A violência em espaço escolar TEM que ser criminalizada e os pais penalizados pelos comportamentos criminosos dos filhos! O nosso futuro depende disto!
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"Este governo não cairá porque não é um edifício, sairá com benzina porque é uma nódoa." -Eça de Queirós
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« Responder #275 em: Março 13, 2010, 10:21:39 »



Ninguém se pode rever numa escola pública que tolera o desrespeito aos seus professores
 
O PROmova lamenta o acto extremo do colega Luís e condena absolutamente as circunstâncias de violência psicológica que terão precipitado a sua decisão de cometer suicídio, sobretudo quando as mesmas parecem configurar uma intolerável falta de respeito à dignidade e à autoridade que deviam ser devidas a um professor.

Ao que tudo indica, o caso deste colega nem sequer era caso único de abusos na escola referenciada (espreitar aqui a capa do Público deste sábado), a acrescentar a muitas outras situações de violência física e psicológica que tem vindo a ser exercida sobre os professores.

Esta situação merece-nos as quatro notas seguintes:

- na origem do clima escolar que propicia e tolera o desrespeito e a violência que é exercida sobre os professores estão, além de factores socioculturais e familiares específicos, circunstâncias que decorrem da convergência entre medidas educativas facilitistas, laxistas e desresponsabilizantes (como o actual Estatuto do Aluno) e uma postura de afronta sistemática aos professores, protagonizada por Sócrates e pela anterior equipa ministerial, a qual procurou arruinar, publicamente, a credibilidade, a dignidade e a autoridade dos professores. A tudo isto acresce a introdução de um modelo de avaliação que quebrou a solidariedade e a cooperação entre os professores, sobreocupando-os inutilmente e desviando-os da função de ensinar e de acompanhar mais de perto o desenvolvimento e a conduta dos alunos;

- é inconcebível que na sequência das repetidas afrontas psicológicas e morais a que este colega foi sujeito e face às suas sete participações, a escola não tenha desencadeado os mecanismos e tomado as providências requeridas à eliminação dos focos de indisciplina dos alunos, permitindo travar o desfecho trágico que veio a ocorrer;

- não se compreende que, tendo esta situação ocorrido no dia 9 de Fevereiro, a DREL só agora e por pressão mediática tenha aberto um inquérito ao caso;

- fomos surpreendidos com o carácter absolutamente lamentável das declarações feitas à comunicação social pelo director regional de Educação de Lisboa (ler aqui uma condenação das mesmas) e por uma suposta encarregada de educação, as quais não incorporaram uma condenação veemente e liminar da conduta dos alunos e, ao contrário, quiseram, de forma subliminar, desligar a violentação do professor das motivações que o terão levado a cometer suicídio.

Infelizmente para a escola pública, para as comunidades escolares e para o país, tudo isto é uma inevitabilidade que advém de uma orientação política miserável que importa travar e reverter.




E agora?
Publicado em Educação por APEDE em 13/03/2010


“Se o meu destino é sofrer, dando aulas a alunos que não me respeitam e me põem fora de mim, não tendo outras fontes de rendimentos, a única solução apaziguadora será o suicídio”. (Luís C. 51 anos, malogrado colega)

A APEDE, com uma audiência, em breve, na Comissão Parlamentar de Educação e Ciência, não se esquecerá de abordar este e outros assuntos absolutamente obrigatórios e inadiáveis.




Isto é de uma gravidade extrema. O bullying não atinge apenas alunos. Há muitos professores que são vítimas silenciosas. E há encobridores que protegem os bullies
12.3.10 Publicada por Ramiro Marques

O iOnline traz uma notícia que divulga um caso de bullying contra um professor. É um caso de uma gravidade extrema. Um caso que acabou em suicídio do professor.

Quanto mais alunos e professores têm de se suicidar para que o bullying deixe de ser branqueado e os bullies protegidos? Que país é este que acarinha os agressores e nega justiça às vítimas? Que escola é esta que estamos a construir? Uma escola que forma cidadãos ou que acolhe e acarinha jovens criminosos?

Leiam também o desenvolvimento desta notícia no Público de hoje e divulguem-na na sala de professores. Hoje foi o colega Luís, amanhã pode ser um de vós. Não se esqueçam de que os socialistas os condenaram a leccionarem até morrerem. Hoje são saudáveis e fortes. Amanhã, poderão ter de ir dar aulas doentes e frágeis. E ficarem à mercê de jovens criminosos protegidos e acarinhados pelas autoridades.

Faço daqui um apelo a todos os blogues de professores: publiquem a notícia do Público em todos os blogues e coloquem-na no topo dos blogues durante todo o dia. Em homenagem ao sacrifício do colega Luís. E para que não se repita a inércia e o encobrimento.

Hoje, não há mais posts no ProfBlog. Quero que toda a atenção dos leitores convirja para este caso de extrema gravidade. A caixa de comentários está à vossa disposição.

Post actualizado às 10:50
Iniciei uma campanha no Facebook, onde sou seguido por 5 mil pessoas, sobre o tema: "Demissão imediata dos directores que encobrem e protegem os bullies!" Se quiser aderir a essa campanha, visite a minha Página do Facebook.

Post actualizado às 11:00




quinta-feira, 18 de Março de 2010
A solidão de um aluno e de um professor
 
Afinal, tal como aconteceu com o Leandro, também a situação do professor Luís era conhecida de toda a gente.
http://www.publico.pt/Educa%C3%A7%C3%A3o/ige-ja-sabia-desde-fevereiro-da-morte-do-professor_1428164

Parece que nada, nenhuma instituição, funciona como deveria, nenhuma legislação é aplicada como seria exigível.

E agora, o que a IGE parece procurar saber é quem terá sido responsável pelo facto de a notícia ter chegado aos jornais. Como se isso fosse importante!

Temos mesmo que nos questionar sobre o que motiva esta ausência de acção, esta falta de solidariedade, esta tristeza que se entranhou neste país. Só depois desse exercício, provavelmente, estaremos mais capazes de exigir, seremos mais cidadãs e cidadãos.


Helena Dias
Publicada por Movimento Escola Pública em 12:11 0 comentários




Ricardo Silva no Opinião Pública da SIC sobre indisciplina e violência escolares
19.3.10 Publicado por: Ramiro Marques 0 Comments and 2 Reactions  Frases de Ricardo Silva (Apede):

"Estas medidas devolvem alguma  autoridade dos professores"; "andámos mais de dois anos a dizer que o estatuto do aluno potenciava a indisciplina e a violência e a tutela dizia que tínhamos um bom estatuto do aluno, afinal parece que temos razão".

Frases de espectadores:

Um tal António Moita, professor, atribuiu a culpa aos professores vítimas das agressões.  As escolas não têm burocracia nem falta de autoridade.  A culpa da indisciplina é dos professores quererem bons horários. E esta, hem? Tenho a impressão que este António Moita está aposentado. Apostava...

É caso para dizer: este professor vive na Lua? Então quando um aluno agride um professor, a culpa é da vítima? Haja Deus!

Um ex-vigilante escolar acusa: "os dirigentes escolares não davam seguimentos às participações; estou convencido de que as deitavam ao lixo; há muitos conselhos directivos que nada fazem porque não podem fazer; as participações que eu fazia não tinham seguimentos; os vigilantes escolares não conseguem aguentar tanta má educação e protecção aos alunos violentos e indisciplinados".

Arlindo Barradas, professor reformado, 69 anos: "nunca esperei ver o que está a acontecer: alunos a baterem nos professores e ninguém lhes acode."; "os pais demitiram-se de dar educação aos filhos".



Bullying, Bullying contra professores, Bullying. Violência Escolar





Ricardo Silva no Opinião Pública sobre indisciplina e violência na escola
19.3.10 Publicado por: Ramiro Marques 1 Comment and 2 Reactions  Mais frases de Ricardo Silva (Apede):

"Os horários dos professores são feitos em função dos alunos"; "há muitos professores que dão horas extra para fazer educação de pais"; "há professores que são obrigados a silenciar os casos de indisciplina e violência"; " os professores estão a ser obrigados a desempenhar todo o tipo de funções: sociais, culturais de animação e de apoio psicológico"; "este Governo está a desinvestir nos meios humanos e só se preocupa com os equipamentos"; "as realidades são muito diversas, há pais muito interessados e que colaboram com os docentes e há outros que se desinteressam da escola e só parecem quando os filhos se metem em problemas"; "os currículos são demasiado extensos e os alunos passam demasiado tempo na sala de aula"; "é óbvio que a violência contra professores se agravou"; a desvalorização do saber académico e a cada vez menos importância dada à  função do ensino conduzem à redução da autoridade dos professores"; "era bom que a ministra da educação ouvisse mais os professores que estão na escola e menos aos especialistas que estão desfasados da realidade".

Frases de espectadores:

Cristina Alves, mãe: "na escola da minha filha reina o terror e ninguém pode fazer nada"; "a minha filha e outras colegas vivem num clima de terror na escola e os agressores estão identificados mas ninguém faz nada".

Cristina Ribas, professora: "quando actuamos sobre a violência, temos de saber como é que a crianças e o jovem podem tornar-se adultos saudáveis"; "a suspensão deve ser o último recurso mas em casos de agressão verbal ou física a um professor justifica-se a suspensão"; "há pais que perderam a autoridade sobre os filhos e pedem ajuda ás escolas"



Bullying, Bullying contra professores, Bullying. Violência Escolar
« última modificação: Março 20, 2010, 03:57:24 por Ambrósio » Registado
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« Responder #276 em: Março 15, 2010, 03:04:10 »



FORA OS OUTROS...

Linha SOS
600 professores pediram ajuda por violência em 3 anos

Agressões verbais e físicas reúnem o maior número de queixas, vindas na maioria de mulheres. Alunos do terceiro ciclo, como os da turma de Fitares, são os mais problemáticos.

Desde 2006, ano de abertura do SOS Professores, que cerca de 600 docentes se queixaram à linha por serem vítimas de actos de violência. Às agressões físicas e verbais, juntam-se situações de indisciplina como aquelas que terão estado na origem do suicídio de um professor de Música de uma escola de Fitares.

Os alunos são a principal razão de queixa (58,4%), mas também os encarregados de educação agridem os docentes (25,5%). Da análise aos dados da linha - uma iniciativa da Associação Nacional de Professores (ANP) -, constata-se ainda que são sobretudo as mulheres que procuraram apoio. As faixas etárias dos 40 aos 49 anos e dos 50 aos 59 representam quase metade das chamadas efectuadas.

Segundo Mário Nogueira, da Fenprof, "as mais novas acabam por ter algum receio de fazer queixa, até por estarem há menos tempo na profissão. Já nas professoras com 50 ou mais anos, verifica-se um desgaste físico e psicológico. Podem ter a experiência de como lidar com situações problemáticas, mas o desgaste faz com que recorram a linhas como esta para terem algum tipo de apoio".

Os dados da linha demonstram também que são os alunos do terceiro ciclo - precisamente o nível de escolaridade da turma que alegadamente agredia o professor de Fitares -, com 50 queixas, e do secundário (46) que motivam mais problemas. Desde 11 de Setembro de 2006 até 19 de Junho de 2009, a linha recebeu 353 contactos, dos quais 184 foram efectuados durante o ano lectivo de 2006/2007, 136 em 2007/2008 e 33 em 2008/ /2009. A estes 353 contactos juntam-se mais dez efectuados entre 10 de Setembro de 2009 e 10 de Janeiro de 2010. Houve ainda o acompanhamento de 228 situações, o que perfaz um total de 581 serviços prestados.

Mário Nogueira não se mostrou surpreendido com o elevado número de pedidos de ajuda e realça a necessidade de se "apostar na prevenção" de actos de violência ou de indisciplina. "Mas, quando a prevenção falha, os professores devem ter meios para que haja uma punição exemplar."

E é neste ponto que o psiquiatra Manuel Louzã Henriques também se concentra. "É essencial que os professores sejam respeitados, que tenham autoridade e que possam aplicar uma disciplina actuante." Para o clínico, actualmente os professores não são respeitados, considerando que os alunos vêem os docentes como alguém para "dar marradas", até porque os próprios encarregados de educação acham que podem "bater e exigir dos professores".

Louzã Henriques salienta ainda que "fala-se muito de bullying, mas o correcto é chamar-se má criação. A sociedade quer que cada um acorde o selvagem que tem em si. Pessoas vistas como tímidas ou que gostam de reflectir sobre os assuntos são muitas vezes vistas como frouxas". Firmeza, não enveredar pela hipertolerância, são soluções a adoptar.

In Diário de Notícias.


Publicada por ILÍDIO TRINDADE em 18:55:00 0 comentários 
Etiquetas: Professores, Violência





MUITO PREOCUPANTE

Ano lectivo de 2008/2009 comparado com anterior
GNR registou quase mais 45 por cento de ameaças e injúrias nas escolas portuguesas

A GNR registou no ano lectivo passado mais 44 por cento de casos de ameaças e injúrias no âmbito do programa Escola Segura. A força de segurança tem à sua responsabilidade mais de nove mil escolas, com um total de mais de 800 mil alunos, que contabilizaram no ano lectivo de 2008/2009 mais 118 ocorrências do que no anterior, num total de 1255.

[...]
In Público.
http://jornal.publico.clix.pt/noticia/13-03-2010/gnr-registou-quase-mais-45-por-cento-de--ameacas-e-injurias-nas-escolas-portuguesas-18983276.htm

Publicada por ILÍDIO TRINDADE em 19:03:00 0 comentários 
Etiquetas: Escolas, Violência





Só não vê quem não quer ver



In Expresso, 13/03/2010

“O pior cego é o que não quer ver”, José Saramago, em “Ensaio sobre a cegueira”
De acordo com a responsável pelo Gabinete Coordenador de Segurança Escolar, Paula Peneda, o número de agressões em / nas salas de aulas está a aumentar, tal como aumentaram as injúrias contra professores. Como razão principal esta responsável aponta o fim dos chamados “furos” e a implementação das aulas de substituição, uma das bandeiras do governo anterior (cujo líder é o mesmo do governo actual) em matéria de Educação. Ainda de acordo com esta responsável, estes problemas agudizar-se-ão com o alargamento da escolaridade obrigatória ao 12.º ano; perante a pergunta “O alargamento até ao 12.º ano vai então trazer mais problemas?”, a resposta é clara: “Vai com certeza”. Estas declarações foram feitas ao jornal “Expresso” de Sábado passado (13 de Março de 2010).

Quem passou por qualquer Escola do "antigamente", e não é preciso ter memória de elefante para se lembrar, sabe que nunca veio mal algum ao mundo, nem foi por causa dos “furos” e dos “feriados” que os meninos e as meninas ficaram menos preparados para aprenderem, para o sucesso escolar e afins. Muito menos traumatizados... Antes pelo contrário, havia até algum efeito terapêutico, de algum alívio da pressão, de descompressão e momentos de felicidade quando tal acontecia.
 
Quando se discutem alterações / reformas para os próximos tempos em termos do que se pretende para a Educação e até pela actualidade do fenómeno real da violência escolar, talvez fosse uma ideia o Ministério ouvir o que pensa quem anda no terreno acerca destas “ocupações”. Quem já fez substituições (a grande maioria dos professores) certamente não deixaria de exprimir o que pensa e, até, de apresentar sugestões. Por que não, por exemplo, um simples inquérito “online” como ponto de partida?

Manuel Salgueiro

Publicada por Octávio V Gonçalves 0 comentários   
Etiquetas Aulas de substituição
« última modificação: Março 15, 2010, 03:42:14 por Ambrósio » Registado
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« Responder #277 em: Março 15, 2010, 04:46:06 »

Citação de: autor


Memórias esparsas do Luís


 

O Luís era uma daquelas pessoas já raras, porque digna, guiado por princípios e valores, exigente consigo próprio, tímido e muito metido com ele (era difícil arrancar-lhe um sorriso). Aos 51 anos, "solteirão", ainda contratado - o professorado é a única profissão em Portugal onde isto ainda acontece! - veio até nós, no decurso da luta pela Profissionalização, contexto onde convivi com ele directamente durante cerca de três anos.

Portador de Habilitação Própria, foi eleito em Lisboa, em Plenário para a Comissão de Contratados, em 2004. Participou activamente em todos os protestos e acções reivindicativas da nossa Frente de Trabalho do SPGL, que levaram à conquista do Despacho nº 6365/2005 (profissionalização em serviço em ESE's e Faculdades).

Era conhecido entre nós pelo ”freelancer" (alusão à sua segunda ocupação de jornalista eventual). Dotado de forte sensibilidade em relação ao mundo da informação e da comunicação social, propôs e pedia frequentemente, nas nossas reuniões, que os sindicatos encarassem esta frente (relações públicas) com outros olhos, mais eficazmente. A partir de 2006, não se recandidatou mais à nossa comissão de contratados.

Encontrei-o mais tarde nas mega-manifestações de professores: estava na Escola EB 2,3 Ruy Belo, e achei-o disposto a não entregar os Objectivos Individuais, um verdadeiro problema de consciência moral, para ele.

Depois disso, mais uma ou duas vezes, espaçadamente. Soube que tinha sido colocado na EB2,3 de Fitares, mas pouco mais.

No passado dia 11 de Fevereiro, revi-o pela última vez, em Oeiras, já deitado no caixão na capela mortuária. Conversei longamente com a mãe, a irmã, a empregada doméstica. Vêm-me à memória as palavras do pai, militar aposentado: "o Luís era bom moço, quis ser bom até ao fim, só que não aguentou o inferno das escolas de hoje... Vocês têm que fazer qualquer coisa!"
 
O Luís nos, últimos tempos, já tinha tomado friamente a decisão, inabalável. Por isso, não creio que nesse período, tenha pedido ajuda a ninguém. Segundo me disseram familiares, no velório, pela consulta do histórico do seu PC, ele, um mês antes e se lançar da ponte, consultava sites sobre suicídio, na internet. Escolheu o dia da sua morte coincidindo com a data de aniversário do pai, com o qual, aliás, se dava bem.

O ambiente no velório foi impressionante, pela dignidade, revolta interior e tristeza da cerimónia, com alguns professores presentes, num silêncio de cortar à faca, só rasgado por frases em surdina, de justo ódio, visando os políticos responsáveis pela situação a que nos últimos anos chegou o Ensino Público. Foi, sem dúvida, dos velórios mais tocantes em que estive até hoje, mesmo estando já habituado a duras perdas, e tendo estado na semana anterior, noutro, de um familiar directo. Quando escrevi no livro de condolências o que me ia no espírito, tive dificuldade em o fazer, a cortina de lágrimas teimava em desfocar-me as letras. 

Pessoalmente, decidi manter silêncio durante um mês, por respeito ao pesado luto da família, só o quebrando depois da irmã dele (nossa colega, também) o ter feito, decorridos cerca de trinta dias, com a divulgação da notícia à comunicação social, para assim tentar evitar que outros casos se repitam, colocar toda a verdadeira dimensão das depressões e suicídios profissionais à luz do dia, rasgar o manto hipócrita dos silêncios assassinos e abalar as consciências de toda a sociedade.


Paulo Ambrósio
- membro da Comissão de Professores Contratados e da Frente de Professores e Educadores Desempregados do SPGL desde 1999


http://www.saladosprofessores.com/forum/index.php/topic,4985.msg155107.html#msg155107

http://www.profblog.org/2010/03/memorias-do-luis-um-professor-portugues.html
 
http://movimentopromova.blogspot.com/2010/03/memorias-esparsas-do-luis.html
 
http://mobilizacaoeunidadedosprofessores.blogspot.com/2010/03/memorias-esparsas-do-luis.html
 
http://educacaosa.blogspot.com/2010/03/memorias-esparsas-do-luis.html
 
http://oestadodaeducacao.blogspot.com/2010/03/texto-de-paulo-ambrosio-sobre-o-colega.html
 
http://octaviovgoncalves.blogspot.com/2010/03/voces-tem-que-fazer-qualquer-coisa.html
 
http://profslusos.blogspot.com/2010/03/memorias-esparsas-do-luis.html
 
http://anabelapmatias.blogspot.com/2010/03/testemunho-palavra-paulo-ambrosio.html

http://apede08.wordpress.com/2010/03/16/um-testemunho-sentido/
« última modificação: Março 30, 2010, 03:10:40 por Ambrósio » Registado
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« Responder #278 em: Março 16, 2010, 10:10:52 »



Cada vez mais grave...



Professor quis deixar as queixas em acta. O documento desapareceu.
http://www.ionline.pt/conteudo/51247-professor-quis-deixar-as-queixas-em-acta-o-documento-desapareceu


Comentário: O artigo acima indicado começa da forma que a seguir coloco e dispensa grandes comentários: "No dia 27 de Janeiro, o professor de música da Escola Básica 2+3 de Fitares, em Sintra, fez mais um pedido de ajuda. O último antes do suicídio. Na reunião do grupo da sua disciplina, L. V. C. alertou os colegas para a sua dificuldade em dar aulas a uma turma do 9º ano devido à indisciplina de alguns alunos. O relato deveria constar na acta, mas o professor de música - que foi destacado como o secretário daquela reunião -, morreu antes de redigir o documento. Após a sua morte, a tarefa foi delegada a outra colega que escreveu o relatório, mas terá omitido a queixa do docente."


© Publicado por Ricardo Montes às 17:54 0 Comentário(s)   

Etiqueta(s): Nacional, Polémica, Professores





Março 18, 2010
Cover-Up
Posted by Paulo Guinote under Informação, Inspecção, Nevoeiro
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A lei da rolha não existe apenas nos estatutos do PSD. Tornou-se – de novo – uma estratégia meio disfarçada para evitar o ruído que tantoperturba os actores institucionais na área da Educação (que é a que agora me interessa).

Esta notícia sobre o caso de Fitares ( http://go2.wordpress.com/?id=725X1342&site=educar.wordpress.com&url=http%3A%2F%2Fwww.publico.pt%2FEduca%25C3%25A7%25C3%25A3o%2Fige-ja-sabia-desde-fevereiro-da-morte-do-professor_1428164 ) é sintomática de uma estratégia de tentativa de adormecimento, nada estranha a outros casos ocorridos recentemente desde o mais mediático do Leandro a outros, quantos outros, que surgem na comunicação social (Montijo, Moita).

Repare-se que a IGE parece mais preocupada em determinar a origem da denúncia para os jornais do que em qualquer outra coisa.

Alguns antigos e actuais professores da escola começaram esta semana a ser ouvidos pela IGE, sendo que a primeira linha condutora da investigação tem sido tentar perceber quem é que fez o caso chegar aos jornais.

E isto é absolutamente lamentável. A informação circulou na net desde dia 10 de Fevereiro. Eu recebi um mail da direcção da escola a 14 de Fevereiro com elementos adicionais sobre o assunto, tentando contextualizar o ocorrido.

A imprensa chegou lá um mês depois, ao que parece na base do empurrão de alguém da escola, inconformado com o silêncio geral.

A IGE entra agora em campo e em vez de se preocupar com outras coisas, quer saber quem foi a garganta funda, esquecendo-se que existem muitas pessoas com acesso à informação e que a comentaram em blogues e por mail.

Ao mesmo tempo, a norte, tenta fazer-se esquecer o caso do leandro, para que as consciências se apaziguem.

Um dos argumentos usados é falaccioso: não é por se falar nas coisas que se cria um clima de alarmismo ou descrédito da Escola Pública. Quem lá trabalha ou as famílias que conhecem de perto muitas situações, não é as verem nos jornais ou televisão que acordam. Já sabem o que se passa em diversos locais, assim apenas deixam de se sentir isolados nas suas preocupações.

A estratégia de ocultar a informação e querer extinguir o debate é errada.

Anote-se ainda que nem o programa oficial de debate da televisão pública se preocupou em dedicar-se ao assunto, enredado nos PEC e em ouvir os economistas do costume a discutir entre eles quem devem ser os remediados e pobres que pagam a crise da sua própria incompetência.

Sobre isso já se pode falar. Ad nauseum.




Escola Básica 2-3 de Fitares

IGE já sabia desde Fevereiro da morte do professor
18.03.2010 - 07:46 Por Romana Borja-Santos

A Inspecção-Geral da Educação (IGE) já sabia, desde Fevereiro, que um professor de Música da Escola Básica 2-3 de Fitares, em Rio de Mouro, Sintra, se tinha matado.
Luís atirou-se da Ponte 25 de Abril no dia 9 de Fevereiro, depois de ter feito à direcção da escola várias participações sobre os insultos e indisciplina dos seus alunos. Contudo, o inquérito ao caso - descrito como "urgente" - só foi aberto depois de o PÚBLICO ter noticiado a situação a 12 de Março.

Alguns antigos e actuais professores da escola começaram esta semana a ser ouvidos pela IGE, sendo que a primeira linha condutora da investigação tem sido tentar perceber quem é que fez o caso chegar aos jornais. A família do professor já se disponibilizou para prestar declarações e entregar todos os documentos que possam facilitar o inquérito, com o objectivo de demonstrar que Luís fez vários apelos e que a legislação sobre indisciplina nunca chegou a ser aplicada. Até ao momento, a família não obteve qualquer resposta.

Foi precisamente no dia 12 de Março que o director regional de Educação de Lisboa visitou a escola, tendo explicado, à saída, que o inquérito conduzido pela IGE visa esclarecer se há alguma relação entre o suicídio e os actos de indisciplina a que o docente era sujeito. Nesse mesmo dia, José Joaquim Leitão afirmou que "é do conhecimento público" que Luís apresentava "uma fragilidade psicológica desde há muito tempo". No seu computador pessoal, o professor deixou escrito que "a única solução apaziguadora" para a sua situação seria "o suicídio" e que não voltaria a tolerar ouvir que era um "careca" ou um "cão".

O PÚBLICO apurou que a direcção da escola comunicou informalmente à IGE que o professor tinha morrido sem revelar os conflitos. Mas a inspecção recebeu a 10 de Março uma denúncia onde eram dados pormenores sobre a relação entre a morte de Luís e a falta de apoio da direcção da escola onde o professor ensinava desde Setembro. Informação semelhante foi enviada para a Direcção Regional de Educação de Lisboa a 4 de Março.





Não importa a morte... o ‘prof’ até era louco!

Ideias
 2010-03-13 visitas (585) autor
Ricardo Miguel Vasconcelos
contactarnum. de artigos 65



Segundo os jornais 'Público' e 'i', o professor de Música que se suicidou a 9 de Fevereiro deste ano, parou o carro na Ponte 25 de Abril, em Lisboa, e atirou-se ao rio Tejo. No seu computador pessoal, noticiam os dois diários, deixou um texto que afirmava: 'Se o meu destino é sofrer, dando aulas a alunos que não me respeitam e me põem fora de mim, não tendo outras fontes de rendimento, a única solução apaziguadora será o suicídio', disse o licenciado em Sociologia.
O 'i' coloca o 9B no centro deste caso, escrevendo que os problemas do malogrado professor tinham como foco insultos dentro da sala de aula, situações essas que motivaram sete participações à direcção da escola, que em nada resultaram.

E à boa maneira portuguesa, lá veio o director regional de Educação de Lisboa desejar que o inquérito instaurado na escola de Fitares esclareça este caso. Mas também à boa maneira deste país, adiantou que o docente tinha uma 'fragilidade psicológica há muito tempo'.
Só entendo estas afirmações num país que, constantemente, quer enveredar pelo caminho mais fácil, desculpando os culpados e deixar a defesa para aqueles que, infelizmente, já não se podem defender.

É assim tão lógico pensarmos que este senhor professor, por ter a tal fragilidade psicológica, não precisaria de algo mais do que um simples ignorar dos sete processos instaurados àquela turma e que em nada deram? Pois é. O ‘prof’ era maluco, não era? Por isso, está tudo explicado.
A Direcção Regional de Educação de Lisboa (DREL), à boa maneira portuguesa, colocou psicólogos na tal turma com medo que haja um sentimento de culpa. E não deveria haver? Não há aqui ninguém responsável pela morte deste professor? Pois é, era maluco, não era?

José Joaquim Leitão afirmou que os meninos e meninas desta turma devem ser objecto de preocupação para que não haja traumas no futuro. 'Temos de nos esforçar para que estas situações possam ser ultrapassadas. Trata-se de jovens que são na sua generalidade bons alunos e que não podem transportar na sua vida uma situação de culpa que os pode vir a condicionar pela negativa', afirmou.
 
Toca a tomar conta dos meninos e meninas porque não pode haver um sentimento de culpa. É verdade! O ‘prof’ era louco, n ão era?

Não estou a dizer que haja aqui uma clara relação causa-efeito. Mas alguma coisa deve haver. Existem documentos para analisar, pessoas a interrogar, algumas responsabilidades a apurar. Por isso, neste 'timing', a reacção da DREL é desequilibrada. Só quem não trabalha numa escola ou não lida com o ambiente escolar pode achar estranho (colocando de lado a questão do suicídio em si) que um professor não ande bem da cabeça pelos problemas vividos dentro da sala de aula em tantas escolas deste país.

Não se pode bater nos meninos, não é? Os castigos resultantes dos processos disciplinares instaurados aos infractores resultam sempre numa medida pedagógica, não é? Os papás têm sempre múltiplas oportunidades para defenderem os meninos que não se portaram tão bem, não é? É normal um aluno bater no professor, não é? É normal insultar um auxiliar, não é? É normal pegar fogo à sala de aula ou pontapear os cacifes, não é? É normal levar uma navalha para o recreio, não é? É também normal roubar dois ou três telemóveis no balneário, não é? E também é normal os professores andarem com a cabeça num 'oito' por não se sentirem protegidos por uma ideia pedagógica de que os alunos são o centro de tudo, têm quase sempre razão, que a vida familiar deles justifica tudo, inclusive atitudes violentas sobre os colegas a que agora os entendidos dão o nome de 'bullying'?

De que valem as obras nas escolas, os 'Magalhães', a educação sexual, a internet gratuita ou os apelos de regresso à escola, uma espécie de parábola do 'Filho Pródigo' do Evangelho de São Lucas (cap.15), se as questões disciplinares continuam a ser geridas de forma arcaica, com estilo progressista, passando impunes os infractores?

Só quem anda longe do meio escolar é que ficou surpreendido com o suicídio do pequeno Leandro ou com o voo picado para o Tejo do professor de Música. Nas escolas, antigamente, preveniam-se as causas. Hoje, lamentam-se, com lágrimas de crocodilo, os efeitos. O professor era louco, não era? Tinha uma clara fragilidade psicológica, não tinha? Pobre senhor. Se calhar teve o azar de ter que ganhar a vida a dar aulas e não conheceu a sorte daqueles que a ganham a ditar leis do alto da sua poltrona que, em nada, se adequam à realidade das escolas de hoje.

« última modificação: Março 20, 2010, 10:24:16 por Ambrósio » Registado
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« Responder #279 em: Março 19, 2010, 03:43:32 »



19 Março 2010 - 01h05

Em escola de Melres, Gondomar
Aluna agride professora à dentada

Uma aluna de dez anos agrediu ontem à tarde à dentada, ao pontapé e ao murro uma professora de Português da Escola Básica de Cimo de Vila, em Melres, Gondomar. Maria Alzira Laxado, 49 anos, teve de receber tratamento médico, incluindo psicológico, no Hospital de Santo António, no Porto.


Tudo aconteceu quando a docente voltou à sala de aulas, onde tinha deixado uma funcionária a vigiar a turma. A auxiliar contou à professora que a aluna estava a riscar a mesa com uma caneta. Foi nessa altura que Maria Alzira retirou a caneta à aluna, que ficou enraivecida. Esta, de imediato, atirou o estojo à cabeça da professora, tendo depois partido para mais agressões: a docente foi repetidamente mordida nos braços, arranhada na cara e agredida a soco e pontapé. "A minha mulher tentou defender-se, mas ela começou logo à ferradela, ao murro e pontapé", contou à RTP José Laxado, marido da docente, indignado. O casojá foi comunicado ao Agrupamento de Escolas, que hoje avalia a agressão, e à Segurança Social.


Nelson Rodrigues





Ministra da Educação responde a proposta da Fenprof: crime público a violência sobre professores é uma possibilidade
21.3.10 Publicado por: Ramiro Marques
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A ministra da educação respondeu hoje à resolução do conselho nacional da Fenprof ( http://www.profblog.org/2010/03/fenprof-quer-violencia-contra-docentes.html ) que exige, entre outras medidas de combate à violência na escola, que a violência contra docentes entre na lista dos crimes públicos:

“Isso é uma questão que tem vindo a ser colocada na nossa sociedade e nós estamos a estudar essa questão. É uma possibilidade”. Fonte: Público de 21/3/2010
http://draft.blogger.com/%E2%80%9CIsso%20%C3%A9%20uma%20quest%C3%A3o%20que%20tem%20vindo%20a%20ser%20colocada%20na%20nossa%20sociedade%20e%20n%C3%B3s%20estamos%20a%20estudar%20essa%20quest%C3%A3o.%20%C3%89%20uma%20possibilidade%E2%80%9D

No consulado lurdesrodriguista era impensável ouvir isto de um governante. Durante quatro anos e meio o que ouvimos da tutela foi atirar responsabilidades para cima dos professores. Silêncio sempre que alguma professor era vítima de agressões. A nova postura da ministra da educação é de saudar mas é preciso  mais acção. As escolas públicas não podem esperar mais.


Falta saber se o PS de José Sócrates, fortemente anti-professores, contaminado pelo desdém votado a uma profissão que foi vilipendiada e desprezada durante quatro anos e  meio, aceita incluir a violência contra professores na lista de crimes públicos. Mas, se a iniciativa legislativa não partir do Governo - por oposição do chefe máximo - os partidos da oposição podem juntar esforços na aprovação de um lei nesse sentido. Paulo Portas disse, hoje, que o CDS vê com bons olhos a proposta da Fenprof.


Bullying, Bullying contra professores, Bullying. Violência Escolar, Portugal





Março 27, 2010
Gravado E A Cores É Mais Difícil Negar
Posted by Paulo Guinote under Escolas, Violência
[55] Comments

 
Assim como é difícil contextualizar o exibicionismo da violência, por parte dos agressores, para consumo público.

YouTube mostra agressão sofrida por André na escola
http://go2.wordpress.com/?id=725X1342&site=educar.wordpress.com&url=http%3A%2F%2Fdn.sapo.pt%2Finicio%2Fportugal%2Finterior.aspx%3Fcontent_id%3D1529781%26seccao%3DSul

Em Albarraque alunos filmaram cenas de murros e pontapés e colocaram-nas na Net. André tinha escondido o caso dos pais

André é vítima de bullying na Escola EB 2,3 de Albarraque, concelho de Sintra. A criança de dez anos tentou esconder dos pais a violência de que era alvo, mas os vídeos colocados no YouTube revelaram a situação e a direcção da escola está agora a identificar os agressores e quem filmou.

Mas ontem um rapaz deu os links dos vídeos a uma professora do ATL que André frequenta e o segredo terminou. De imediato, os pais da criança dirigiram-se à escola para exigir explicações. “A professora Edite (vice-presiden- te do Conselho Executivo) disse que estava preocupada em saber quem foi o autor dos filmes e quer que o André identifique os agressores na segunda-feira”, explicou o pai, Alfredo Borges, ao DN.

Indignado, diz não entender porque é que o filho tem de se submeter a apontar o dedo a quem o agrediu: “Os vídeos podem não ter grande qualidade, mas consegue–se ver bem as caras.” E o que também é notório é a forma como alguns alunos batem – ao murro e pontapé – em colegas, estando outros por fora a incentivar e a tentar garantir que o filme fique o melhor possível com o objectivo expresso de ser colocado no YouTube.
« última modificação: Março 28, 2010, 05:16:38 por Ambrósio » Registado
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« Responder #280 em: Março 21, 2010, 03:34:11 »



A situação da escola (e do país) exige que se ponha fim ao paradigma (socrático) da não-verdade


In Visão, 18/03/2010


Subscrevo esta crónica de José Gil da primeira à última linha.

Enquanto o ME responde ao problema da violência escolar com a fantochada de acções de formação proposta pelo ME para que os professores aprendam a lidar com a violência escolar (forma sempre subliminar e enviesada de imputar o ónus dos problemas ao desconhecimento/incompetência dos professores), José Gil prefere desocultar as raízes do problema e assinalar as condições e os factores susceptíveis de modificar a situação actual da escola pública.

Destaco:

- a necessidade de se dizer a verdade sobre a realidade quotidiana e concreta das escolas, algo que é incompatível com o paradigma de não-verdade da governação Sócrates;

- a necessidade de "mudar o espírito da educação. (...) restituir a autoridade dos docentes, dar-lhes condições (materiais e imateriais) para ensinar, valorizar o conhecimento com uma cultura de exigência, recusando a falsa democracia do facilitismo (...)".




Publicada por Octávio V Gonçalves 0 comentários   
Etiquetas Textos de José Gil
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Eloisa Menezes Pereira
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« Responder #281 em: Março 23, 2010, 01:54:18 »

Uma experiência que deu certo
A Escola Estadual Almirante Álvaro Alberto da Motta e Silva, de Porto alegre, já
entregou seu projeto de e-book à Editora Plus. Quem coordenou foi a professora de Língua Portuguesa, Eloísa Menezes Pereira, preocupada com a agressividade dos alunos de 5ª. série e suas provocações e humilhações aos colegas ( bullying). Ela via com preocupação as frequentes provocações que envolviam tapas, cutucões e linguagem chula.
Decidiu, então, fazer uma experiência piloto com uma turma de 28 alunos de 11 a 13 anos e propôs trabalhos que mostrassem para que servem as mãos, o tato e os demais sentidos. Cada um escreveu sua história e ilustrou. Um dos meninos, mais rebelde, expressou-se totalmente por meio de história em quadrinhos. Nasceu, assim, o livro " Brincando com os sentidos", que está sendo preparado para publicação no site. O envolvimento dos estudantes durante todo o projeto foi animado e o resultado deixou a educadora empolgada. Aumentou a autoestima do grupo e diminuiu o bullying. Até os outros professores perceberam a mudança no comportamento do grupo, disse Eloísa.
O colégio está localizado numa área carente, cuja comunidade tem pouca autoestima. O desenho ajudou.
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« Responder #282 em: Março 24, 2010, 02:17:00 »



terça-feira, 23 de Março de 2010
MEDO NA ESCOLA

Medo na escola, hoje depois do Jornal da Noite

Joana já não sai de casa, estuda numa plataforma do ensino móvel. Chegou a pesar 45 quilos. Os pais de Joana só perceberam o que se passava com a filha nove anos depois de perseguições na escola. Joana era das melhores alunas da turma. Foi humilhada, perseguida, afastada dos amigos. Terá sido condenada por professores e contínuos.
Grande Reportagem SIC

A direcção da escola EB 2, 3 de Cacia nunca informou o Ministério da Educação sobre o que se passava. A Direcção da escola nunca abriu um inquérito disciplinar para saber o que se passava com uma criança que ficou doente, com uma criança que passou a ser seguida por psicólogos e deixou de querer ir à escola.
O caso está em tribunal.

Beatriz tem 14 anos. Desde Julho do ano passado foi ameaçada, perseguida, agredida por colegas de outra turma. Bia, como é tratada pelos amigos, não quer mudar de escola. Quer que o caso seja conhecido e que possa mudar mentalidades.

Beatriz foi agredida fortemente duas vezes, foi ao hospital, os pais fizeram inúmeras queixas na escola e na polícia. Beatriz foi perseguida, vítima de cyber-bullying. Exposta a sua vida e contactos no universo da internet. A Direcção da Escola Jorge Peixinho, no Montijo, nunca informou o Ministério da Educação sobre o que se passava. Fez um inquérito disciplinar. As agressoras, duas, viram o processo arquivado, outras duas levaram uma repreensão por escrito.
O processo está em tribunal.

E Leandro. As buscas terminaram e da criança de 12 anos nunca mais houve notícia. A associação de pais garante que a Escola Luciano Cordeiro, de Mirandela, foi das mais bem classificadas num ranking da DREN sobre Bullying mas não é esta a realidade que aqui se conta. Os pais garantem que se queixaram à escola vezes sem conta. A direcção da escola não informou das queixas.

O tribunal de menores garante que a relação entre os pais, alunos e a escola tem de mudar. Garante que os crimes na comunidade escolar passaram de pouco mais de 1000 em 2005 para mais de 2200 em 2008. Celso Manata explica que há que rever a legislação, tornar o "Bullying" crime público e utilizar as penas.

Só no Canadá, cerca de 30 por cento dos jovens deixam de estudar por causa do bullying.

Em Inglaterra, desde 1998, as escolas implementaram medidas contra o fenómeno. Desde então o número de vítimas diminuiu.

Em Portugal, as penas vão até ao internamento em centro educativo. No país, nunca foi aplicado por causa de "Bullying".

Restam os silêncios. Da Direcção Regional de Ensino de Lisboa, e de Coimbra. Da Direcção da Escola EB 2, 3 de Cacia, em Aveiro. Da escola Luciano Cordeiro em Mirandela. Da Escola Secundária Jorge Peixinho no Montijo. Do Ministério da Educação.

Um silêncio total em relação a estas vidas. E à Justiça que não lhes chega.

In Sic.
http://sic.sapo.pt/online/noticias/programas/reportagem+sic/Artigos/medo+na+escola.htm


Publicada por ILÍDIO TRINDADE em 19:20:00 0 comentários 
Etiquetas: Bullying, Notícias





É MUITA VIOLÊNCIA

Ministério Público
Pelo menos 340 inquéritos por violência escolar abertos nos dois últimos anos

O Ministério Público abriu nos dois últimos anos pelo menos 340 inquéritos relativos a violência escolar, segundo os últimos dados da Procuradoria-Geral da República, que incluem os processos instaurados em 2008 e 2009 por duas das quatro procuradorias-gerais distritais do país: Lisboa e Évora. Abarcam ainda os números de 2008 da Procuradoria-Geral Distrital de Coimbra (PGDC) e dois anos relativos ao Departamento de Investigação e Acção Penal (DIAP) do Porto.
[...]

In Público.
http://www.publico.pt/Educação/pelo-menos-340-inqueritos-por-violencia-escolar-abertos-nos-dois-ultimos-anos_1428922

Publicada por ILÍDIO TRINDADE em 19:00:00 0 comentários 
Etiquetas: Bullying, Escolas
« última modificação: Março 24, 2010, 02:28:33 por Ambrósio » Registado
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« Responder #283 em: Março 24, 2010, 02:22:51 »



Março 23, 2010
O Problema Não É A Lei, É O Que Fazemos Com Ela
Posted by Paulo Guinote under Escolas, Justiça Mínima, Violência
[71] Comments

 
Porque já com o Estatuto do ALuno se passa o mesmo: há coisas que já lá estão, há é quem não lhes queira dar uso ou quem o desaconselhe por causa de não sei quê, da imagem e tal…

Agredir professores já é crime público
(…)
http://go2.wordpress.com/?id=725X1342&site=educar.wordpress.com&url=http%3A%2F%2Fwww.ionline.pt%2Fconteudo%2F52283-agredir-professores-ja-e-crime-publico

O penalista Germano Marques da Silva explica que o Código Penal prevê um factor de agravação para ofensas cometidas contra ” docentes, examinadores ou membros de comunidades escolares”. Já o penalista Pinto de Albuquerque vai mais longe e assegura que a lei é “óbvia” nesta matéria. “No caso de um professor agredido no exercício das suas funções ou por causa delas, mesmo fora da escola ou fora do horário lectivo, não há dúvida que se trata de uma ofensa à integridade qualificada e, como tal, constitui crime público.” E acrescenta: “Há até pelo menos três acórdãos, dos Tribunais da Relação do Porto, Guimarães e Coimbra, nesse âmbito.” Fonte do Ministério Público defende, no entanto, que considerar-se que uma ofensa corporal a um professor é qualificada é uma matéria “subjectiva e tudo depende do critério do aplicador da lei”.

Talvez isto explique ao Gundisalbus porque eu tenho relutância em colocar fanfarras em relação a propostas redundantes para consumo mediático.
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« Responder #284 em: Março 25, 2010, 05:02:46 »



ÚLTIMAS DO CASO LEANDRO

Família de Leandro ouvida pela Inspecção-Geral de Educação
Mirandela

"Só espero que seja feita justiça e que a escola e aqueles que agrediam o meu filho sejam responsabilizados". Palavras de Amália Pires, mãe do Leandro, depois de, ontem, ter sido ouvida pelo inspector titular do inquérito que a Inspecção-Geral de Educação instaurou para apurar as circunstâncias que levaram ao desaparecimento, no dia 2 de Março, nas águas do rio Tua, da criança de 12 anos, depois de ter saído da escola Luciano Cordeiro, à hora de almoço.
[...]
In Jornal de Notícias.
http://jn.sapo.pt/PaginaInicial/Nacional/Interior.aspx?content_id=1523421

Entretanto...

. Corpo de Leandro encontrado no Tua
http://www.publico.pt/Sociedade/corpo-de-leandro-encontrado-hoje-no-tua_1429338

. Corpo de Leandro já foi transportado para a morgue
http://dn.sapo.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=1528014&seccao=Norte

. Pais autorizados a entrar na morgue para identificar corpo de Leandro
http://jn.sapo.pt/PaginaInicial/Sociedade/Interior.aspx?content_id=1527996


Publicada por ILÍDIO TRINDADE em 11:17:00 0 comentários 
Etiquetas: Bullying


Inimigos da Escola Pública

Quinta-feira, Março 25, 2010
Descansa Em Paz
 


O rio devolveu o corpo de Leandro, 23 dias depois do desaparecimento
http://www.publico.pt/Sociedade/o-rio-devolveu-o-corpo-de-leandro-23-dias-depois-do-desaparecimento_1429348




Reitor


às 20:25 0 comentários   Links para esta postagem




Rio devolveu o corpo do Leandro. Resultados dos inquéritos ainda por conhecer
25.3.10 Publicada por Ramiro Marques



Passados 23 dias, o Rio devolveu o corpo do Leandro. O funeral é amanhã. Junto-me à dor dos familiares e amigos.

Foram muitos dias à espera do corpo do Leandro, o menino de 12 anos da Escola de Mirandela, vítima da violência de alunos mais velhos.

Correm dois inquéritos: um do ministério público e outro da IGE. Tardam a ser divulgados os resultados.

Receio que as autoridades deitem as culpas do sucedido para a vítima. Ao que sei a única coisa que mudou na Escola de Mirandela terá sido maior cuidado na vigilância sobre os alunos e na portaria. Tudo indica que os putativos agressores do Leandro continuam, impávidos e serenos, como se nada de grave tivesse acontecido.

Ninguém se deu por responsável. Ninguém pediu a demissão. É bem provável que ninguém seja responsabilizado.

Bullying, Bullying. Violência Escolar, Leandro




27 Março 2010 - 00h30

Mirandela (COM VÍDEO:)
http://www.cmjornal.xl.pt/noticia.aspx?contentid=9175A1B6-16FB-4DA8-AECB-56257D67EA28&channelid=00000181-0000-0000-0000-000000000181&h=11

“Leandro não vás, por favor”



Irmão gémeo de Leandro não aguentou a dor e desmaiou. Pais estavam inconsoláveis e choravam convulsivamente sobre o caixão da criança.


Os gritos de desespero ouviam-se insistentemente no meio dos rostos cansados e as centenas de mãos teimavam ontem em não deixar partir o caixão lacrado que guardava o corpo de Leandro, de 12 anos. Imóvel, Márcio deixava as lágrimas cair. Nas mãos segurava com força uma única flor branca, que depositou junto ao corpo do irmão gémeo, o menino vítima de bullying que a 2 de Março se atirou ao rio Tua.

'O meu irmão não pode ir embora', gritou a criança no momento em que o corpo de Leandro foi a enterrar no cemitério de Cedainhos. Márcio não aguentou a dor de ver o irmão partir e desfaleceu nos braços dos familiares.

Inconsoláveis, Amália e Armindo, pais do menino, ainda não conseguiam aceitar a morte do filho e de mãos dadas choravam convulsivamente sobre o caixão. 'Leandro não vás, por favor, não vás meu amor. Dá-me força para aguentar', gritou a mãe. Desesperada por ver a criança ser enterrada, Amália percorreu a multidão e abraçou com força o filho Márcio. 'És a cara do teu irmão meu filho. Eram iguais', soluçou a mulher.

A dor dos pais de Leandro estendia-se ontem às centenas de pessoas que fizeram questão de dizer o último adeus à criança. Durante a missa, na igreja de Cedainhos, colegas de turma do menino permaneceram junto ao altar bastante abalados. Os olhares estavam fixados na fotografia da criança e nas mãos todos eles seguravam flores. As leituras da cerimónia foram feitas pelos colegas, que no final homenagearam o menino. 'Leandro, querido amigo, ficamos muito tristes com a tua partida e queremos dizer que farás sempre parte da nossa vida', leu uma menina, também criança, sem conseguir conter as lágrimas.

Na cerimónia religiosa, o padre pediu ainda uma salva de palmas para Leandro e, no final, todos as pessoas deram as mãos e rezaram pela criança. 'Aqueles que nas escolas agridem e insultam para mostrar que são fortes, são na verdade as pessoas mais fracas', disse o pároco, pedindo de seguida a Márcio que sorrisse, pois o irmão não o ia querer ver triste.

Sobre o caixão de Leandro foi colocada a bandeira do Rancho Folclórico de Mirandela, no qual o menino tinha entrado há muito pouco tempo.

Durante o cortejo fúnebre, os familiares abraçaram-se uns aos outros e todos juntos gritaram pelo nome da criança.

António Leite, director regional da educação do Norte, marcou presença no funeral, tal como o director da escola de Leandro, José Carlos Azevedo, que só anteontem falou com os pais do menino.

CAMPA CEDEU AO ENTERRAR CAIXÃO

A campa onde Leandro ontem foi enterrado cedeu no momento em que o caixão foi colocado devido ao facto de a terra estar molhada. Ao ver o mármore cair, os familiares gritaram desesperados. 'Este menino nunca teve sorte', diziam alguns, enquanto uma forte chuva se abatia sobre o cemitério de Cedainhos.

Para tentar superar o incidente, algumas pessoas trataram de imediato de colocar a lápide no local e de retirar a terra que, entretanto, tinha caído dentro da campa. Alguns minutos depois o caixão de Leandro foi enterrado. 'Finalmente ele teve o funeral que merecia e vai descansar em paz', afirmou Paula Nunes, tia da criança, visivelmente consternada com a situação.

MEMBROS DO RANCHO TRAJADOS

Uma dezena de crianças, membros do Rancho Folclórico de Mirandela, do qual Leandro fazia parte, foi ontem trajada ao funeral do menino. Junto ao caixão, os colegas colocaram uma fotografia da criança vestida com o fato.

Durante a missa, com flores brancas nas mãos, os colegas rodearam o caixão da criança e juntos rezaram e choraram pelo amigo que partiu.

PORMENORES

DIRECTOR DA ESCOLA

José Carlos Azevedo, director da escola, marcou presença no funeral. Só anteontem, quando o corpo apareceu, é que o director falou com a família, situação que revoltou os pais.

INQUÉRITOS

A DREN abriu um inquérito para tentar perceber de que forma Leandro conseguiu sair da escola. Também a PSP elaborou um relatório para perceber de que forma o menino morreu.

PSICÓLOGOS

Os pais, os irmãos e os primos de Leandro estão a ser acompanhados por psicólogos. Ricardo, primo do menino, é o que está mais afectado pois ainda tentou salvar a criança.

FAMÍLIA VELOU CORPO DURANTE TODA A NOITE

A família de Leandro permaneceu durante toda a noite na capela de Cedainhos a velar o corpo do menino. O caixão chegou anteontem por volta das 16h00 e desde então que os familiares da criança não saíram da igreja. Os pais de Leandro não dormiram toda noite e pouco comeram, ficaram sentados num banco em frente ao caixão do filho a chorar.

Durante a manhã, a pouco e pouco, as centenas de pessoas foram chegando. A igreja foi, aliás, muito pequena para a multidão que fez questão de homenagear Leandro uma última vez. Muitos dos populares não conheciam o menino, mas a morte trágica sensibilizou os habitantes de Mirandela. 'Obrigada a todos os que nos apoiaram, os que nos têm dado força nesta hora difícil. Obrigada por homenagearem o meu netinho', disse Zélia Morais, avó do menino, no final do funeral.

Ontem, também vários elementos dos bombeiros e da GNR, que durante 23 dias procuraram o menino no rio Tua, marcaram presença na cerimónia fúnebre. Alguns elementos da Câmara Municipal de Mirandela fizeram também ontem questão de apoiar a família. Foi, aliás, a câmara que fez questão de arcar com as despesas do caixão, de forma a apoiar a família que vive com dificuldades financeiras.

DUAS TIAS DA CRIANÇA TIVERAM DE RECEBER ASSISTÊNCIA MÉDICA

Ainda a cerimónia fúnebre não tinha começado e já Paula Nunes, tia do menino, teve de ser assistida por médicos. Visivelmente abalada, a mulher saiu da igreja amparada por amigos enquanto pedia a Leandro forças para aguentar a dor. 'Tens-me dado tanta força Leandro, porque é que não me dás agora? Preciso que me ajudes a aguentar', dizia Paula.

Durante a missa uma outra tia da criança desmaiou dentro da igreja e teve de ser retirada do local. A mulher ainda tentou entrar novamente, desesperada por dizer um último adeus ao sobrinho, mas os familiares encaminharam-na para junto dos médicos, onde foi assistida.





Ana Isabel Fonseca
« última modificação: Março 28, 2010, 05:38:09 por Ambrósio » Registado
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