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O caminho da avaliação é "para a frente", insiste a ministra Maria de Lurdes Rodrigues PDF Imprimir e-mail
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Escrito por Administrator   
04-Abr-2008
Colóquio sobre o sector na Fundação de Serralves, no Porto.

Porto, 04 Abr (Lusa) - A ministra da Educação garantiu quinta-feira que "não há caminho para trás ou para o lado, só para a frente", no que diz respeito à avaliação, durante um colóquio sobre o sector na Fundação de Serralves, no Porto.

Maria de Lurdes Rodrigues abriu o colóquio com uma intervenção de cerca de 20 minutos em que defendeu que hoje há muito maior exigência do que no passado.

Nem por uma vez falou de avaliação e no final foi aplaudida, mas depois, quando chegou a altura do público fazer perguntas, quase não falou de outra coisa.

Entre a assistência contavam-se muitos professores e alguns deles aproveitaram para dar conta do seu desagrado face ao modelo de avaliação que o Ministério da Educação (ME) aprovou e quer que seja aplicado já a partir deste ano.

Uma professora presente resumiu o que pensa sobre o polémico modelo: é "uma complicação absoluta".

A mesma docente perguntou "por que motivo o ME não altera este modelo se há dificuldades".

Na resposta, a ministra fechou a porta a um tal cenário, argumentando que "perante um problema é preciso perceber como é que ele se resolve em vez de o retirar do caminho".

Uma das queixas mais ouvidas aos professores é a complexidade que a avaliação encerra.

Para Marçal Grilo, que foi ministro da Educação entre 1995 e 1999 e quinta-feira dividiu o palco com Maria de Lurdes Rodrigues, um dos males portugueses são os "processos detalhados e tão perfeccionistas" que depois sacrificam o essencial.

Sem falar especificamente de avaliação, que provocou uma guerra aberta entre os professores e actual equipa ministerial, o agora administrador da Fundação Gulbenkian defendeu, como princípio genérico, que o "essencial é um caminho em que haja um consenso mínimo entre ambas as partes, que permita que a escola avance".

A actual ministra é que não recua.

"O modelo não pode ter problemas porque ele ainda nem sequer foi aplicado. Não é legítimo, nem razoável invocar os problemas teóricos que o modelo possa ter, porque todos os modelos têm problemas. Qual é a alternativa?", perguntou.

A suspensão, exigida por organizações sindicais como a Fenprof, está fora dos planos do ministério.

"Estamos a discutir e a trabalhar neste modelo há um ano, um ano e meio talvez. Não tem sentido. Está estudado, tem salvaguardas, os professores podem recorrer dos resultados", defendeu.

"Suspender para quê?", Maria de Lurdes Rodrigues fez e pergunta e deu a resposta: "Para ir fazer outro e demorar mais um ano ou dois? Isso não tem sentido. O modelo foi aprovado e deve ser aplicado".

De acordo com a ministra, seguro é que se os professores contratados, cerca de 7.000, não forem avaliados também não vão poder renovar os seus contratos.

"Está na lei", sublinhou a ministra.

A convicção da ministra é que não haverá problemas, porque "os professores contratados vão ser avaliados, como os outros professores também vão ser avaliados".

Nos 20 minutos da sua intervenção inicial, Maria de Lurdes Rodrigues revelou que "este governo tem como ambição passar dos nove anos de escolaridade obrigatória para os 12 anos".

A educação, de acordo com a governante, tem pela frente "três grandes desafios: abertura da escola ao exterior, maior exigência de autonomia e responsabilização dos professores e diversidade e qualidade das competências".

Marçal Grilo também falou de exigência, qualidade que, em sua opinião, os portugueses não têm.

"Acreditam mais na sorte do que no esforço", considerou, destacando ser crucial estimular o "trabalho, o esforço, a dedicação e o sacrifício".

Nos portugueses, o antigo ministro encontra "três defeitos": "Têm pena de si próprios, gostam mais de pertencer aos problemas do que às soluções e sofrem de inveja".

Na opinião do ex-ministro, a escola não pode resolver tudo: "Não me parece que seja a única instituição capaz de reconquistar alguns dos valores que estão em crise".

Neste capítulo, sustentou Marçal Grilo, "a família" tem grandes responsabilidades no que toca a restaurar valores como "o respeito pelo outro, a tolerância e a solidariedade".

A escola tem outra competência: "Fazer com que os alunos aprendam".

A leitura, "a língua materna", a tabuada em vez da calculadora, que só "deve ser usada quando já não é preciso para as operações simples", e a matemática são disciplinas essenciais.

O Ministério da Educação deve ser "mais flexível, menos interveniente, mais regulador e menos regulamentador", defendeu também Marçal Grilo, realçando que o "saber e o conhecimento" devem ter a primazia num sistema educativo.

fonte: http://ww1.rtp.pt/noticias/index.php?article=337472&visual=26&tema=1

Comentários
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Pedro Gonçalves - Ministra à beira do precipício     | Registered | 2008-04-04 12:25:05
A ministra está à beira do precipício e acha que andar para a frente é o único caminho. Se alguém lhe der um empurrão, pode ser que ela acorde.
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