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Quarenta em cada cem alunos do Ensino Superior não acabam o curso PDF Imprimir e-mail
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01-Jul-2004
Quarenta por cento dos alunos que entram no ensino superior acabam por não concluir os respectivos cursos. O insucesso é mais notório nos institutos politécnicos - cifra-se nos 46 por cento, contra os 36,5 por cento registados nas universidades.

Os dados são do Observatório da Ciência e do Ensino Superior (OCES), que se socorreu dos inquéritos estatísticos anuais de alunos do ensino superior público, e referem-se ao ano lectivo 2002-03.

Em Novembro do ano passado, o OCES divulgou os dados relativos ao ano lectivo 2001-02, que vieram mostrar que 43, 1 por cento dos estudantes matriculados nas instituições públicas de ensino superior não terminavam os cursos. Os números do ano seguinte parecem mais animadores: a taxa de insucesso em 2002-03 situava-se nos 40,6 por cento.

Para determinar qual a taxa de insucesso no superior, o observatório baseou-se no conceito de "survival rate", da OCDE, que, para um mesmo período temporal, apura a relação entre o número de diplomados e o de alunos matriculados no ano inaugural de um curso. Com base neste cálculo, aquele organismo afecto ao Ministério da Ciência e do Ensino Superior chegou à conclusão que a Universidade do Minho é a que regista uma taxa de fracasso mais baixa: 27 por cento. A Universidade da Beira Interior está no pólo oposto, aparecendo como a instituição onde o insucesso é mais elevado - 54,7 por cento.

Já no que diz respeito aos institutos politécnicos, a pior "performance" é atribuída ao de Bragança - 62,7 por cento. Neste capítulo, é o ensino politécnico ministrado na Universidade do Algarve que consegue os melhores resultados, com 28, 2 por cento. De resto, o panorama nestas instituições é ligeiramente mais negro que o das universidades: só quatro escolas politécnicas registam taxas de insucesso inferiores aos 40 por cento.

Já os alunos das escolas de saúde conseguem boas prestações - diz o estudo do observatório que a taxa de fracasso é de 12, 7 por cento.

O panorama curso a curso

Olhando para as prestações dos alunos curso a curso, verifica-se que há muitas formações com taxas de insucesso superiores aos 90 por cento. Alguns exemplos: Economia na Universidade dos Açores, Engenharia dos Computadores e Telemática na Universidade de Aveiro, Ensino de Informática na Universidade da Beira Interior, Física e Tecnologia dos Materiais na Universidade do Porto, e Engenharia Mecânica na Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Bragança.

O curso de Línguas e Literaturas Modernas, variante de Estudos Franceses e Italianos da Universidade de Lisboa tem 90,9 por cento de insucesso; e apenas um dos 25 estudantes inscritos, no ano lectivo de 2002-03, na licenciatura em Trabalho Social da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro terminou o curso.

Uma das fragilidades do estudo do Observatório da Ciência e do Ensino Superior tem a ver com o facto de não distinguir insucesso de abandono - uma crítica, aliás, feita pelas instituições de ensino, às quais os dados foram enviados. Quer isto dizer que "os alunos que abandonaram, antes da obtenção do diploma, o seu percurso académico também contribuem para aumentar a taxa de insucesso", lê-se no trabalho do OCES.

O PÚBLICO procurou ouvir o secretário de Estado Adjunto da Ministra da Ciência e do Ensino Superior, Jorge Moreira da Silva, mas foi informado pelo gabinete de imprensa do respectivo ministério que o governante não faria quaisquer comentários sobre este assunto.

in Público de 01/07/2004
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