Login/Registo de membros

 
 
23832 registados
2 hoje
190 esta semana
1163 este mês
Último: grocha

Últimos Posts

Google PageRank Módulo - Camelpark - Tradução JoomlaClube


Só com mediadores as meninas vão à escola PDF Imprimir e-mail
(2 votos)
27-Jun-2004

"Se eu não estivesse na escola, os pais não deixariam as suas filhas estudar", revela a cigana Andreia, de 26 anos, a propósito da importância do papel de mediadora. A trabalhar na EB1 do Ingote, em Coimbra, a sua função passa por "vigiar e dar atenção às crianças ciganas; e, ao mesmo tempo, ajudar os professores a lidar com elas".

Um caminho feito de grandes vitórias, já que não é nada fácil, por exemplo, uma menina da etnia estudar. "são muito protegidas. É a questão da honra. E eu concordo. Deve cumprir-se a tradição. Depois, acha que faz sentido a menina ser colocada na escola, longe da sua tradição, longe de tudo o que aprendeu, num mundo à parte, sem ter ninguém que ajude na sua integração?", questiona.

"Deve cumprir-se a tradição", insiste ; mas os costumes, até há bem pouco tempo, vedavam a educação às mulheres. Andreia furou o sistema, porque tem, assegura, "um superpai". "Ele sempre me deu força para estudar". Curiosamente, a mõe "puxava mais para trás, o importante é uma mulher ser uma boa dona de casa". E, portanto, Andreia vive entre a tradição que diz defender e o regime de privilégio que abriu para si e para outras meninas. A explicação, avança, é simples: "podemos manter o costume e estudar, ir mais longe, lutar para fazer mais pelos nossos".

Uma vontade férrea que lhe somou já várias conquistas. Para começar, tem o 9º ano e pretende completar o 12º para se dedicar à "acção social". Nair e Ilda, ambas adolescentes, são mais duas dessas alegrias.

"Se a Andreia vai, tu também vais. Foi o que me disse a minha avó, quando, no ano passado, a assistente social veio aqui perguntar se eu poderia continuar a estudar", conta a Nair.

Na verdade, o curso de Hotelaria, que lhe dará equivalência ao 9º ano, não é bem o que queria, mas "é uma oportunidade" e uma forma de chegar ao que realmente pretende. "Gostava de ser esteticista", conta. Andreia ri-se e lembra que Nair "é muito vaidosa".

Aliás, acrescenta, "todas as mulheres ciganas são muito vaidosas" .

Ilda acena com a cabeça e mostra-se sempre muito tímida.

Lá deixa escapar que até gosta do curso de Hotelaria, mas que dificilmente os pais a deixarão trabalhar em tal área. "É por causa do ambiente", remata. E ela, confessa, "jamais teria coragem para enfrentá-los".

Há, portanto, um longo caminho a percorrer. Aquelas três meninas ainda são a excepção que confirma a regra. E são-no porque tiveram a sorte de habitar numa freguesia com uma mediadora, ou seja, alguém que faz a ponte entre as escolas e as famílias ciganas. "É uma grande responsabilidade", confessa Andreia. Mas, "vale muito a pena", assegura.

in JN de 27/06/2004
Comentários
AdicionarPesquisar
Somente usuários registrados podem escrever comentários!

Copyright (C) 2007 Alain Georgette / Copyright (C) 2006 Frantisek Hliva. All rights reserved.

Notícias Mais Recentes
Notícias Mais Antigas
<< Página Anterior                    Página Seguinte>>
 
< Artigo anterior   Artigo seguinte >

Sala Dos Professores criada em 15 de Novembro de 2003
Todos os logos e trademarks neste site são propriedade do seu respectivo dono. Os comentários são propriedade e da responsabilidade
de quem os põe, tudo o resto Copyright © 2003 Sala dos Professores. Para qualquer assunto, por favor, contactar o Administrador.

RocketTheme Joomla Templates